Quatro em cada 10 jovens recorrem a um segundo trabalho para suportar custo de vida
Gerardo Santos

Quatro em cada 10 jovens recorrem a um segundo trabalho para suportar custo de vida

Jovens entre os 18 e os 34 anos são os que mais conciliam a sua atividade profissional principal com um segundo emprego ou com um projeto paralelo para conseguirem pagar as despesas mensais. Habitação é o encargo que mais pressiona o orçamento familiar.
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A atual conjuntura económica tem pressionado a carteira das famílias portuguesas, mas é entre os mais novos que a gestão do orçamento se tem revelado particularmente desafiante face ao aumento do custo de vida. Com um rendimento médio mensal de 1489 euros - valor que os jovens entre os 18 e os 34 anos consideram insuficiente para responder aos encargos do dia a dia -, quatro em cada 10 recorrem a fontes de rendimento extra para pagar contas, enquanto um terço pondera fazê-lo no futuro, revelam os dados do Observador Cetelem cedidos ao DN.

O estudo Os Jovens e o Consumo detalha que é este o segmento que mais concilia a sua atividade profissional principal com um segundo emprego ou com um projeto paralelo: para 40% já é uma realidade, percentagem que desce para 27% nos maiores de 35 anos.

Os constrangimentos financeiros levam 41% dos participantes a avaliar negativamente o seu poder de compra e 33% a assumir precisar de apoio monetário para manter o estilo de vida.

A habitação ocupa um lugar de destaque na hora de fazer as contas à ginástica orçamental familiar, absorvendo a fatia mais significativa do rendimento do agregado. Olhando para o quadro geral, 37% dos jovens têm casa própria, dos quais 23% estão a pagar crédito à habitação. Já 26% residem num imóvel arrendado e 30% ainda vivem com familiares. Entre os que suportam uma prestação ao banco ou uma renda, quatro em cada 10 destinam entre 10% e 30% dos recursos mensais a este encargo, enquanto quase um terço afeta entre 31% e 50% .

Numa leitura mais fina, os dados sublinham que no universo dos jovens que vivem em casa arrendada, 45% gastam mais de 30% com a renda, uma percentagem ligeiramente superior à registada entre os proprietários com crédito à habitação (43%).

Aos custos com a habitação acrescem as restantes despesas fixas, como água, eletricidade, telecomunicações e supermercado, que “continuam a pesar fortemente no orçamento”, aponta o Observador Cetelem. Entre os jovens que contribuem para estas obrigações, a maioria aloca até 30% do rendimento mensal ao seu pagamento.

Excluindo os gastos com a habitação, a saúde surge como a área de maior despesa (35%), seguindo-se a alimentação fora de casa (34%) e o vestuário (30%). “Esta geração dá maior prioridade ao bem-estar, destacando-se as viagens (23%), as subscrições digitais (21%) e o desporto (20%)”, acrescenta o estudo, realizado com uma amostra de 1200 inquiridos. Neste sentido, os jovens revelam também uma maior propensão para ultrapassar o orçamento inicialmente previsto em momentos de lazer do que as gerações mais velhas, com 65% dos participantes deste grupo etário a admitir gastar acima do planeado.

Face à atual pressão financeira, a mudança de hábitos é apontada como uma via inevitável: 49% dos jovens preveem reduzir o consumo nos próximos meses, sobretudo através do adiamento de compras e despesas não-essenciais (33%) e da substituição de produtos e serviços por alternativas mais económicas (26%).

Mais de metade tem projetos que gostaria de concretizar - como viajar, comprar casa e realizar obras ou renovações -, mas para os quais não dispõe de orçamento. Desta forma, 38% admite recorrer ao apoio da família e 49% pondera contratar um crédito junto de uma instituição financeira.

Ainda assim, e apesar dos desafios, a grande maioria dos jovens (78%) afirma conseguir poupar, destinando, em média, 15% do rendimento mensal para esse fim. Preparar a reforma (24%), criar um fundo de emergência (23%) e comprar casa (13%) surgem entre os principais objetivos na hora de colocar dinheiro de lado.

Quatro em cada 10 jovens recorrem a um segundo trabalho para suportar custo de vida
Famílias sobre-endividadas estão a pedir cada vez mais créditos pessoais para pagar despesas básicas
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