Os consumidores portugueses têm manifestado um crescente descontentamento em relação às redes e postos de combustível.
Até agosto de 2026, o Portal da Queixa registou 665 reclamações, um aumento de 84,2% em comparação com as 361 ocorrências do mesmo período em 2025.
Este número aproxima-se das 667 reclamações contabilizadas em todo o ano anterior, refletindo uma preocupação crescente dos consumidores.
A natureza das queixas também se alterou, com 40% delas a dizerem respeito a problemas com descontos, campanhas e promoções, um aumento significativo em relação aos 28,5% registados em 2025.
Este dado indica que, além de uma maior sensibilidade às oportunidades de poupança, os consumidores enfrentam dificuldades em usufruir das vantagens anunciadas, realça o Portal da Queixa.
As reclamações mais frequentes estão relacionadas com falhas nos programas de benefícios, que representam 27,1% do total. Os consumidores relatam problemas na atribuição de pontos, falhas em ofertas e confusões nas condições dos programas de fidelização.
Em segundo lugar, surgem as queixas sobre a qualidade do serviço e do atendimento, com 24,1% das reclamações, seguidas por questões financeiras, que somam 22,7%. Esta última categoria abrange cobranças indevidas, erros no processamento de pagamentos e reembolsos não realizados.
O mês de maio de 2026 foi particularmente crítico, com um total de 150 reclamações, o maior número mensal de toda a série analisada, mais do que o dobro da média mensal habitual.
Os relatos dos consumidores revelam uma variedade de problemas, desde discrepâncias nos preços dos combustíveis até dificuldades na utilização de vales. Apesar do aumento no número de queixas, a satisfação média dos clientes que avaliaram suas experiências melhorou ligeiramente, passando de 5,98 em 2025 para 6,14 em 2026.
Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, salienta que “os dados mostram que os consumidores estão cada vez mais atentos às oportunidades de poupança nos combustíveis, mas também mais exigentes quanto ao cumprimento das vantagens que lhes são anunciadas".
"Num contexto de forte pressão sobre o orçamento das famílias, um desconto ou um benefício deixou de ser apenas uma vantagem comercial: para muitos, é uma expectativa concreta de poupança. Quando o desconto não é aplicado ou as condições da campanha não são claras, a frustração transforma-se rapidamente numa reclamação", acrescenta Pedro Lourenço.