

Os dados e a inteligência artificial (IA) deixaram de ser meros temas de nicho tecnológico para se instalarem no centro da governação e da estratégia global. É sob este pano de fundo que ocorre amanhã, 25 de junho, no Centro de Congressos do Taguspark, em Oeiras, a 4.ª edição do Data with Purpose Summit, sob o mote "Data Visionaries: Imagining Tomorrow, Today".
Um dos grandes destaques do dia será a intervenção de Sergiy Barbashyn, presidente da AI Ethics and Integrity International Association (AIEI). O advogado internacional, especialista em propriedade intelectual e ética em IA, alerta que o verdadeiro desafio regulatório não passa por travar a inovação, mas sim por evitar a obsolescência das leis.
"O perigo não reside na regulação em si, mas sim no risco de termos uma regulação que seja 'old school' ou obsoleta face aos desafios e às tecnologias atuais", revela ao DN o especialista.
Barbashyn destaca a velocidade sem precedentes da adoção destas ferramentas: "Confirmámos que 53% da população global já utiliza inteligência artificial. O seu desenvolvimento é muito mais rápido do que o dos computadores pessoais ou da própria internet."
O jurista, radicado em Portugal desde 2022, adianta que o debate já não é sobre decidir se devemos ou não utilizar a IA, mas sim como o fazemos, apontando a regulação equilibrada como a única forma de mitigar a atual crise de confiança pública.
No evento desta quinta-feira, Barbashyn afirma que irá partilhar um caso prático da sua própria atividade jurídica no país — uma parceria entre uma startup portuguesa de IA na área da música e um laboratório de dados de áudio, onde a partilha legal de dados permitiu criar soluções de pesquisa ultrarrápidas em segundos, provando que a ética e a tecnologia podem coexistir numa relação em que todos saem a ganhar (win-win).
Além do debate regulatório, o programa conta com um painel de oradores de destaque nacional e internacional. Entre eles, o antigo ministro e agora comentador Paulo Portas trará uma leitura geopolítica sobre o impacto direto dos dados e da inteligência artificial nos conflitos armados do nosso tempo, num dia que incluirá mesas redondas dedicadas especificamente aos "dados da guerra".
A vertente criativa e jurídica será desafiada por Inês Baptista da Câmara, CEO do Studio Astolfi, que colocará em debate uma das perguntas mais fraturantes da atualidade: quem é o autor quando criamos com a máquina? No encerramento dos debates, o escritor e professor da University College London, Brian Klaas, promete abalar as certezas da audiência ao questionar se ter mais informação se traduz, de facto, numa maior capacidade de prever e controlar um futuro cada vez mais complexo e caótico.
A abertura institucional do fórum promovido pela NOVA Information Management School (NOVA IMS) e pela Câmara Municipal de Oeiras estará a cargo de Miguel de Castro Neto, Dean da NOVA IMS, e o encerramento será assegurado por Isaltino Morais, Presidente da Câmara Municipal de Oeiras.
Leia no DN/Dinheiro Vivo, na próxima sexta-feira, uma entrevista exclusiva com Sergiy Barbashyn onde se aborda a regulação da IA, o futuro dos direitos de autor, a evolução legislativa vs. tecnológica e outros assuntos relacionados.