

A Reserva Federal americana (Fed) anuncia esta quarta-feira, no final de uma reunião de dois dias, a sua decisão sobre as taxas de juro, com os analistas a esperar uma manutenção, mas com alguma incerteza.
"Os últimos dados vieram dar alguma margem de manobra à Fed, sem alterar de forma significativa as perspetivas de política monetária", indicou Jenny Zeng, Diretora de Investimento Global de Obrigações da Allianz Global Investors (AllianzGI).
"Os preços no consumidor abrandaram em junho, enquanto a melhoria do mercado laboral perdeu parte do seu impulso" lembrou, apontando que espera que o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) "mantenha a meta para os fundos federais inalterada entre 3,50-3,75%".
Em junho, a Fed decidiu manter as taxas de juro, tendo em conta que a inflação se mantinha elevada face à meta de 2% sempre defendida pela instituição.
Ainda assim, num documento de projeções trimestrais, citado pela AP nessa altura, nove responsáveis da Reserva Federal afirmaram que esperavam pelo menos um aumento das taxas de juro este ano, tendo seis deles defendido dois ou mais aumentos.
Já Henrique Tomé, analista da XTB, apontou que "as incertezas em torno da trajetória das taxas de juro continuam elevadas, devido às oscilações presentes nos preços do petróleo desde o início do conflito no Médio Oriente".
"A economia norte-americana continua a dar sinais de força, assim como o mercado de trabalho, os pedidos semanais de subsídio de desemprego nos EUA atingiram, na quinta-feira, o seu nível mais baixo desde 1969", destacou, apontando ainda que embora "a inflação no consumo tenha descido para um ritmo anual de 3,5% em junho, o indicador continua bem acima da meta de 2% da Fed".
Isto, acrescentou, poderá reforçar "os argumentos a favor de um aumento das taxas de juro a curto prazo".
Neste contexto, destacou, "os mercados permanecem marcados por um clima de incerteza, sobretudo tendo em conta a declaração do [líder da Reserva Federal, Kevin] Warsh, de que a Fed irá deixar de apresentar as projeções económicas".
Jenny Zheng lembrou ainda que durante as suas audições no Congresso este mês, Warsh deixou claro que "o FOMC não vai tolerar uma inflação persistentemente elevada, indicando que o Comité está a dar maior peso à estabilidade de preços", apontando que "o ónus da prova recai agora inteiramente sobre os dados da inflação".
Assim, "ainda que seja provável que o FOMC mantenha as taxas inalteradas em julho", espera "um aperto monetário acumulado de 50 pontos base antes do final do ano".
A maioria dos investidores espera uma quinta manutenção consecutiva das taxas de juro diretoras (que se situam entre 3,50% e 3,75% desde dezembro), segundo a ferramenta CME FedWatch, citada pela AFP.