Rússia: indústria petrolífera volta a ganhar tração e pode inundar o mercado com gasóleo

A interrupção dos ataques ucranianos a refinarias russas está a permitir à Rússia voltar a pôr a indústria nos eixos, de forma a exportar petróleo refinado, em particular o diesel.
Rússia: indústria petrolífera volta a ganhar tração e pode inundar o mercado com gasóleo
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A Ucrânia interrompeu os ataques a grandes refinarias de petróleo russas e Moscovo ameaça agora inundar o mercado com enormes quantidades daquela matéria-prima.

Assim descreve a JP Morgan no mais recente relatório sobre a indústria petrolífera, intitulado Back in business, numa altura em que a falta de oferta deixa os preços num estabilizados em alta.

E que, nos últimos meses, a Ucrânia atacou pelo menos 27 das 32 a 36 grandes refinarias no território europeu da Rússia e em regiões próximas das fronteiras. O objetivo foi pressionar os russos para refinarem menos petróleo, castigando a economia daquele país. O efeito colateral foi o encarecimento daquela matéria-prima em todo o mundo.

Ora, a 25 de outubro, a Rússia assinalou uma sequência de sete dias sem ataques deste âmbito, recuperando significativamente a capacidade para colocar petróleo refinado no mercado. "A recuperação demonstra quão rápido o sistema russo de refinação pode recuperar o terreno perdido, uma vez terminadas as repetidas interrupções das unidades de processamento", de acordo com os especialistas do JP Morgan.

Por outras palavras, a queda na exportação de produtos petrolíferos russos (gasolina e, sobretudo, gasóleo) resultava não necessariamente de uma perca de capacidade em função da destruição de infraestruturas, mas da constante necessidade de dar resposta a novos ataques, com efeitos diretos no trabalho realizado no dia a dia, naquelas refinarias. Agora, a indústria volta a ganhar tração.

A Rússia pode assim inundar o mercado com petróleo refinado, em especial o diesel, cuja produção em solo russo é historicamente bastante superior à de gasolina.