Governador diz que alteração permite poupar 220 milhões de euros só em custos operacionais nos próximos 10 anos.
Governador diz que alteração permite poupar 220 milhões de euros só em custos operacionais nos próximos 10 anos.Foto: Leonardo Negrão

Santos Pereira muda projeto da nova sede do Banco de Portugal desenhado por Centeno e fala em poupança de milhões

Projeto passa a ter um edifício que concentra todos os trabalhadores num edifício em vez de em dois, como tinha sido desenhado por Mário Centeno. Custo da estrutura com instalações técnicas estima-se nos 165 milhões de euros.
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O governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, afirmou que a entidade decidiu mudar o projeto da nova sede para concentrar todas as equipas na capital num só edifício em vez de em dois, juntando todos os que atualmente se dividem por quatro instalações espalhadas por Lisboa.

Segundo Santos Pereira, a mudança do projeto de sede do Banco de Portugal foi tomada de forma "unânime" pelo Conselho de Administração e que a relocalização para os terrenos da Antiga Feira Popular é "de maior importância", estando a ser discutida e estudada "há décadas" e que "precisa de um desfecho".

Para resolver esta situação, Santos Pereira defende que o "projeto de Entrecampos é a melhor solução para o Banco de Portugal" mas que era possível "melhorar o projeto" acordado durante a governação de Mário Centeno.

Neste novo desenho, então, os trabalhadores passarão a trabalhar em apenas um edifício (descrito como o edifício A1), em vez de espalhados por dois edifícios no complexo como originalmente projetado.

Esta unificação, sublinhou o governador, ajudará a evitar "custos desnecessários" e "ineficiências", para além de querer incentivar "o trabalho de equipa".

Atualmente, destacou ainda, de todos as quatro instalações usadas na capital, só o da atual sede histórica, na Baixa de Lisboa, é que é da propriedade do BdP, enquanto os restantes, incluindo um na Avenida Álvaro Pais para onde foram transferidos os das antigas instalações na Avenida Almirante Reis, têm "grandes custos".

Só em custos operacionais, sublinhou, poder-se-á "poupar anualmente 11 milhões de euros", ou seja, 220 milhões de euros ao fim de dez anos. Para além disso, o aditamento ao contrato de compra e venda do edifício permitirá uma poupança de mais de 35 milhões, acordado com o promotor, a Fidelidade.

O representante do CDS-PP, Paulo Núncio, chamou à decisão de uma "desautorização total" à decisão de Mário Centeno e que foi "um golpe de teatro. De seguida, perguntou sobre se “Deus já respondeu sobre o custo final” da obra, lembrando quando Mário Centeno tinha dito que este custo “a Deus pertence”.

"O custo final ao Banco de Portugal pertence", ironizou o governador, explicando porém que os custos estimados para a base do edifício fica nos 165 milhões de euros e que os custos do fit out, ou seja, do mobiliário e adaptação às necessidades técnicas do Banco estima-se nos 63 a 72 milhões de euros. O edifício desativado da Almirante Reis e um terreno sem construção no Alto dos Moinhos serão vendidos para angariar fundos para o edifício.

Questionado pelos deputados, Santos Pereira garante ainda que a mudança de projeto não causará que se perdesse o sinal já pago, uma quantia de cerca de 57 milhões de euros. "Só se o Banco de Portugal quisesse sair dali", garantiu.

O novo esquema inclui também uma praça que separa, por questões de segurança, o edifício A1 de um auditório no A3 maior do que originalmente projetado, que pode acolher 400 pessoas e que se pretende que sirva também a comunidade para ajudar a rentabilizá-lo.

O deputado do Partido Socialista, Carlos Pereira, questionou o governador sobre a afirmação de que todos os trabalhadores cabem dentro do novo edifício unificado e se a nova opção não traria problemas de segurança, abrindo mesmo a possibilidade de uma "Casa de Papel" à portuguesa -- lembrando a série televisiva que envolve um assalto à Casa da Moeda de Espanha.

Santos Pereira assegurou que o novo edifício é mesmo “suficiente para albergar toda a gente que trabalha em Lisboa” e que, por não ser partilhado com lojas como acontecia no projeto anterior, a segurança é ainda maior do que no desenho da governação Centeno.

Ainda assim, continuou, o Banco destacou ainda que a política do teletrabalho está já bem enraizada dentro da organização e que vai "reforçar a sua presença regional", movendo trabalhadores atualmente ligados à sede lisboeta.

"160 pessoas gostavam de ir para as delegações regionais a curto a médio prazo", sublinhou Santos Pereira, apontando que 50 querem mesmo ir trabalhar noutras zonas do país.

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