Setor da defesa cai em bolsa com fim de contrato naval na Alemanha

Ações da Rheinmetall lideraram quedas, mas arrastaram a Leonardo, a BAE Systems ou a SAAB.
O ministério da Defesa alemão, Boris Pistorius, confirmou o cancelamento da encomenda
O ministério da Defesa alemão, Boris Pistorius, confirmou o cancelamento da encomendaROBERTO SCHMIDT / AFP
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O cancelamento da encomenda pelo governo alemão de seis grandes fragatas F126 levou, esta quarta-feira (24 de junho), a uma forte queda nas bolsas da Rheinmetall, uma das maiores empresas militares da Alemanha. As ações caíram 17% após ter sido noticiado o fim do contrato, estimado em 12,8 mil milhões de euros.

O receio dos investidores alastrou-se a outros títulos da Defesa europeia, como a Leonardo (helicópteros), a sueca SAAB (caças) e a BAE Systems.

O executivo alemão confirmou que iria encomendar oito fragatas anti-submarino à TKMS, do grupo Thyssenkrupp. Estas fragatas, do modelo Meko A-200 - semelhante ao modelo da fragata Vasco da Gama da Marinha Portuguesa -- deverão custar 11,6 mil milhões de euros, indicou a Reuters. É um modelo já existente e não um projeto inovador como as F126.

Segundo o Financial Times, os F126 seriam os maiores navios desde a Segunda Guerra Mundial, tendo o projeto sido lançado em 2020 pela então ministra da Defesa, Ursula von der Leyen. Porém, o processo sofreu vários atrasos e acabou por ser reatribuído.

Já as ações da TKMS dispararam após a notícia, chegando a crescer ​14,2%. Em março, o Estado alemão já tinha anunciado a compra de quatro fragatas Meko A-200 à TKMS face aos atrasos das F126, tendo uma opção de compra de outras quatro e que deverá ser exercida.

Originalmente, o projeto dos F126 tinha um custo previsto de 10 mil milhões de euros.

Num comentário a essa mesma publicação, Oliver Burkhard, CEO da TKMS, afirmou que, apesar de compreender "a desilusão", diz que "também há satisfação".

"Satisfação pelo facto de a política ter atuado de forma consequente e no interesse dos contribuintes", disse, sublinhando que pretendem entregar as novas fragatas "até 2029" e "envolver muitas das empresas afetadas neste projeto, caso assim o desejem".

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