

O Grupo BEL relata uma crescente procura por refeições rápidas, ao mesmo tempo que quer "continuar a crescer" em solo nacional. Ainda assim, antecipa um impacto da guerra de até 10% no negócio.
A BEL é líder no segmento dos queijos em Portugal, através da divisão que tem no país, que conta com duas fábricas, em Vale de Cambra (Aveiro) e Ribeira Grande (Açores). Conta ainda com um escritório, em Lisboa. No total, emprega 620 pessoas.
Detém várias marcas, entre as quais Limiano, Terra Nostra, "A vaca que ri" e Babybel, que estão espalhadas pelos supermercados de todo o país.
No ano passado, investiu 5,8 milhões de euros para tornar as fábricas mais capazes. De acordo com Enrique Guerrero, diretor geral da BEL para a Europa do Sul e Turquia, esta é "uma confirmação" de que o grupo aposta na economia portuguesa e europeia.
Em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo, o responsável diz que vê o grupo "no caminho certo de crescimento" e salienta que está preparado para dar resposta às evoluções mais recentes no mercado.
A BEL vê mudanças no público que consome queijo, em termos generalizados. É que a procura por snacks (refeições rápidas e cómodas) está em crescimento e, neste contexto, o grupo procura dispor de "soluções práticas e convenientes, com valor nutricional", de forma a atraírem o interesse dos portugueses.
Posto isto, está "muito bem posicionado neste ramo", sublinha Enrique Guerrero. Em todo o caso, ficar parado não é solução e, nesse sentido, um dos objetivos para 2026 passa por "acelerar no segmento de snacks saudáveis, onde vemos um potencial de crescimento muito relevante", aponta.
O balanço feito pelo diretor é positivo e as perspetivas também, mas existe aqui um grande senão. Tal como a economia global e a larga maioria das empresas, a BEL sofre com as consequências da guerra no Médio Oriente.
O preço dos combustíveis está muito acima daquele que se verificava em fevereiro, gerando disparos em toda a cadeia de retalho, ao redor do mundo.
Posto isto, o grupo sente um disparo de 10% a 15% nos custos do transporte. Em simultâneo, há uma subida de 2% nos materiais usados para embalar os produtos, indicam as contas da BEL.
Ao todo, a guerra poderá ser responsável por um corte de 5% a 10% no volume de vendas, caso continue a médio ou longo prazo.