Subsídio de desemprego passa de 70% para 64% do último salário numa década

Valor recuou 6% entre 2015 e 2025, mesmo com o aumento sido 3,4% ao ano, de acordo com uma análise do Banco de Portugal.
Subsídio de desemprego passa de 70% para 64% do último salário numa década
FOTO: Fernando Timoteo/Global Imagens
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O subsídio de desemprego passou a representar uma menor percentagem do último salário, passando de 70% em 2015 para 64% em 2025, concluiu uma análise do Banco de Portugal divulgada esta quinta-feira, 1 de outubro.

Esta evolução resulta do crescimento dos salários acima da atualização dos limites da prestação, que são definidos em função do IAS, explica o banco central, salientando que "este mecanismo é particularmente relevante na parte inferior da distribuição salarial, onde os limites mínimos da prestação são mais frequentemente aplicáveis".

Por outro lado, a inclusão das majorações atenua esta redução, situando a taxa de substituição em torno de 66% em 2025.

Apesar deste recuo no valor do subsídio face ao salário, também se verificou que na última década, o subsídio de desemprego aumentou em média 3,4% ao ano em termos nominais e 1,3% em termos reais, atingindo o valor médio de 700 euros em 2025.

No que diz respeito à distribuição pelos salários, o peso dos trabalhadores com salários baixos aumentou, enquanto a proporção de trabalhadores com salários elevados se manteve relativamente estável entre 2015 e 2025.

No ano passado, cerca de 40% das entradas no subsídio de desemprego corresponderam a trabalhadores com salários até 880 euros (ano em que o salário mínimo se situava nos 870 euros).

Já a distribuição das entradas no subsídio de desemprego por setor de atividade mostra que a indústria transformadora e as atividades administrativas e de apoio concentravam as maiores proporções, ambas próximas de 17%, seguindo-se o comércio, com 14,2%.

Quando comparado com 2015, aumentou o peso da indústria transformadora e, sobretudo, do alojamento e restauração, enquanto se reduziu de forma marcada o peso da construção e da administração pública, educação e saúde, conclui a análise, incluída no Boletim Económico que será divulgado na próxima semana.

Este estudo, elaborado com base em microdados da Segurança Social, observa ainda que a "composição das entradas no subsídio de desemprego tem-se alterado, com um peso crescente dos trabalhadores mais velhos, das mulheres e dos estrangeiros".

O peso dos trabalhadores com 50 ou mais anos aumentou de 21% para 26%, enquanto o peso das mulheres subiu de 51,6% em 2015 para 53,4% em 2025 e o dos trabalhadores estrangeiros aumentou de 2,2% para 26,6% no mesmo período.

É de ressalvar, no entanto, que esta evolução deve ser "interpretada à luz das alterações na composição do emprego por conta de outrem ao longo da última década, em particular do aumento significativo do peso dos trabalhadores estrangeiros no mercado de trabalho, que têm em média uma idade inferior à dos nacionais".

Segundo o estudo, a partir dos seis meses, os beneficiários estrangeiros têm menor probabilidade de permanecer no subsídio de desemprego do que os nacionais.

A análise conclui também que o regresso ao emprego pode envolver perdas salariais e mudanças de setor, apesar da maioria dos beneficiários transitar diretamente para o emprego, sendo que "entre os beneficiários que deixaram de receber a prestação em 2024, cerca de 60% iniciaram uma relação laboral no prazo de um mês".

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