Taxa de inflação acelera para 2,8% em agosto. Economia cresce 1,9% no segundo trimestre

O INE aponta para uma aceleração do Índice de Preços no Consumidor. A taxa de desemprego baixou para 5,8% em julho e há um alerta para a possibilidade de aumento de 2,25% das rendas em 2026
Taxa de inflação acelera para 2,8% em agosto. Economia cresce 1,9% no segundo trimestre
FOTO: Luís Costa Carvalho
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A taxa de inflação aumentou 2,8% em agosto, ficando 0,2 pontos percentuais acima da variação de julho, segundo a estimativa provisória divulgada esta sexta-feira, 29 de agosto, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A informação apurada pelo instituto, ainda está sujeita a revisão, aponta para uma aceleração do Índice de Preços no Consumidor (IPC).

Depois de em julho a diferença no índice em relação ao mesmo mês do ano passado ser de 2,64%, a taxa passou para 2,78% este mês, indica o INE na síntese estatística.

O indicador de inflação subjacente – o índice total excluindo os produtos alimentares não transformados e energéticos – registou uma variação de 2,5% face ao valor do índice em agosto do ano passado. Neste caso, a diferença é igual à de julho.

“A variação do índice relativo aos produtos energéticos foi -0,2% (-1,1% em julho) e o índice referente aos produtos alimentares não transformados terá voltado a acelerar para 7,0% (6,1% no mês anterior)”, detalha o INE.

A variação global do IPC em relação a julho (em cadeia) foi negativa, com a diferença mensal a ser de -0,2%. A descida foi menor do que a registada de junho para julho, que foi de -0,4%.

Já o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português, que permite fazer comparações com outros países europeus, registou uma variação homóloga de 2,5%, tendo a diferença ficado num “valor idêntico” ao de julho.

O INE vai publicar os dados definitivos sobre a inflação de agosto a 10 de setembro, altura em que se ficará a saber se os valores provisórios agora divulgados são os mesmos ou se sofrem uma revisão.

Confirmado crescimento de 1,9% da economia no 2.º trimestre

A economia portuguesa cresceu 1,9% no segundo trimestre do ano, em termos homólogos, e 0,6% em cadeia. "O Produto Interno Bruto (PIB), em volume, registou uma variação homóloga de 1,9% no segundo trimestre de 2025, taxa superior em 0,2 pontos percentuais à observada no trimestre precedente", indica o INE, confirmando a estimativa rápida divulgada no final de julho.

Segundo os dados hoje divulgados, a variação em cadeia também não sofreu revisões: "Comparando com o primeiro trimestre de 2025, o PIB aumentou 0,6% em volume, após uma diminuição de 0,4% no trimestre anterior”, refere.

Taxa de desemprego baixa para 5,8% em julho

A taxa de desemprego diminuiu, por sua vez, para 5,8% em julho, face ao mesmo mês de 2024 (-0,7 pontos percentuais) e ao mês anterior (-0,3 pontos).

De acordo com os dados do INE, a taxa de subutilização do trabalho foi estimada em 10%, valor inferior ao de junho (0,3 pontos percentuais), ao de três meses antes (0,5 pontos) e ao do mesmo mês do ano anterior (1,1 pontos).

No mês em análise, a população empregada (5.260,4 mil) alcançou o valor mais elevado desde fevereiro de 1998.

Já a população desempregada (323,1 mil) diminuiu em relação aos três períodos de comparação: mês anterior (15,7 mil; 4,6%), três meses antes (23,8 mil; 6,8%) e mesmo mês de 2024 (28,8 mil; 8,2%).

Segundo o INE, a população ativa (5.583,6 mil) aumentou relativamente a junho de 2025 (1,8 mil; a que correspondeu uma variação relativa quase nula), a abril do mesmo ano (15,6 mil; 0,3%) e a julho de 2024 (173,2 mil; 3,2%).

Por sua vez, a população inativa (2.456,4 mil) aumentou em relação ao mês anterior (6,7 mil; 0,3%) e a três meses antes (8,9 mil; 0,4%), e diminuiu face ao mês homólogo (59,1 mil; 2,4%).

Ao divulgar as estatísticas de julho, ainda provisórias, o INE fixou valores definitivos para o mês de junho, tendo revisto ligeiramente em alta a taxa daquele mês face ao anteriormente divulgado, passando-a de 6% para 6,1%.

A taxa de desemprego continua a ser maior entre as mulheres do que entre os homens, com 6,2% de desemprego entre a população feminina em julho, face a 5,3% entre os homens.

Entre os jovens, em junho e julho deste ano, a taxa de desemprego (18,9%) registou o valor mais baixo desde junho de 2023 (18,5%), enquanto a taxa de desemprego de adultos no mês de julho (4,8%) foi o valor mais baixo desde fevereiro de 2022 (4,7%).

Rendas podem subir 2,25% no próximo ano

O valor das rendas poderá aumentar 2,25% em 2026. Nos últimos 12 meses até agosto a variação média do índice de preços, excluindo a habitação, foi de 2,25%, valor que serve de base ao coeficiente utilizado para a atualização anual das rendas para o próximo ano, ao abrigo do Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU).

Contudo, o valor efetivo de atualização das rendas – aplicável tanto ao meio urbano como ao meio rural – só será apurado em 10 de setembro, quando o INE divulgar os dados definitivos referentes ao IPC de agosto de 2025, tendo depois de ser publicado em Diário da República até 30 de outubro.

Só após a publicação em Diário da República é que os proprietários poderão anunciar aos inquilinos o aumento da renda, sendo que a subida só poderá efetivamente ocorrer 30 dias depois deste aviso.

A taxa deste ano, para aplicar em 2026, representa uma aceleração face ao ano passado (aplicada às rendas de 2025), quando se fixou em 2,16%.

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