

A taxa mista já é a mais presente entre os créditos à habitação contratados em Portugal. Destronou a taxa variável em julho, depois de quase três anos em que se constata uma fuga das famílias portuguesas às subidas do preço dos empréstimos.
Segundo relata o Expresso (acesso pago), a taxa mista (que prevê um período inicial com taxa fixa e, posteriormente, taxa variável), está já presente em contratos que representam 48,27% do stock de crédito à habitação, que representa 118 mil milhões de euros, em Portugal. Os dados são de julho e traduzem uma ultrapassagem daquele regime face à taxa variável (totalmente dependente das flutuações da Euribor), que está presente em 47,01% dos casos e liderou, durante décadas, o mercado nacional. A taxa fixa está representada em 4,71% dos créditos.
Tudo começou na segunda metade de 2023, quando a rápida impressão de nota pelo Banco Central Europeu (BCE) e a guerra na Ucrânia provocaram uma escalada da inflação. Para conter a tendência, o BCE fez subir os juros. As famílias portuguesas começaram a fugir à taxa variável que, ainda assim, tinha um peso de 78% no final daquele ano. A fuga para a taxa mista continuou nos anos seguintes, de tal forma que os números são ainda mais vincados entre os novos contratos.
Nos créditos à habitação assinados em julho, 86% estão indexados à taxa mista (o prazo mais comum para o período inicial de taxa fixa é de dois anos), 12% a taxa variável e 2% a taxa fixa. Metade estão indexados à Euribor a 6 meses e 30% à Euribor a 12 meses.