Trabalhadores do BCE exigem esclarecimentos sobre futuro de Lagarde

Em carta enviada na sexta-feira a Lagarde e aos restantes membros da Comissão Executiva, os trabalhadores alertam para os riscos de uma indefinição prolongada sobre a liderança da instituição.
Christine Lagarde, presidente do BCE.
Christine Lagarde, presidente do BCE. Foto: CHRISTOPHER NEUNDORF / EPA
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Os representantes dos trabalhadores do Banco Central Europeu (BCE) pediram esclarecimentos sobre o futuro da presidente da instituição, Christine Lagarde, alertando que a incerteza prolongada poderá afetar a confiança no banco central e dificultar a gestão interna.

Numa carta enviada na sexta-feira a Lagarde e aos restantes membros da Comissão Executiva, a que a agência France-Presse (AFP) teve acesso, os trabalhadores alertam para os riscos de uma indefinição prolongada sobre a liderança da instituição.

Segundo o documento, esta situação poderá “afetar a confiança nas comunicações do BCE, suscitar preocupações entre os trabalhadores e as partes interessadas e dificultar o planeamento ordenado da sucessão e das prioridades estratégicas”.

As especulações sobre uma eventual saída antecipada de Lagarde, apontada como possível futura presidente do Fórum Económico Mundial, em Davos, intensificaram-se após o anúncio da publicação da sua autobiografia no início de 2027.

Questionada na quinta-feira sobre o assunto, Lagarde afirmou não haver “nada a anunciar” relativamente ao seu futuro.

Os membros da Comissão Executiva do BCE são nomeados após negociações políticas entre os chefes de Estado e de Governo da União Europeia.

Contactado pela AFP, o BCE sublinhou dispor de “mecanismos de governação há muito estabelecidos” e de “grande experiência” para “funcionar eficazmente durante períodos de transição”.

“As mudanças ocorridas no passado demonstraram-no”, acrescentou uma fonte da instituição.

A presidente do BCE enfrenta atualmente as repercussões das tensões geopolíticas no Médio Oriente, que têm pressionado em alta os preços da energia e contribuído para a subida da inflação na zona euro para o nível mais elevado dos últimos três anos.

A evolução levou o BCE a endurecer, na quinta-feira, a orientação da política monetária.

A carta do comité de pessoal, inicialmente divulgada pelo jornal Financial Times, recorda uma declaração recente de Lagarde, segundo a qual “quando há nuvens no horizonte, o capitão permanece a bordo”.

“Estamos de acordo”, afirmam os representados dos trabalhadores, acrescentando que esse princípio “também se aplica à gestão interna do BCE”.

Além da questão da sucessão, a carta refere um mal-estar persistente dentro da instituição e aponta para uma “deterioração contínua” da confiança entre os trabalhadores e a direção.

Entre as críticas estão um alegado “sentimento de favoritismo” nos processos de recrutamento e promoção e a “autocensura de muitos trabalhadores”, por receio de consequências negativas.

Os representantes dos trabalhadores apelam, por isso, à responsabilidade de Lagarde para que o BCE esteja “num estado melhor no final do seu mandato do que quando assumiu funções”, não apenas no que respeita à estabilidade dos preços, mas também à governação interna e à confiança dos trabalhadores.

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