Turismo contribuiu com 11,8% para o PIB português em 2025

Apesar do contributo do turismo para o crescimento real do PIB continuar a ser positivo, o INE nota que "tem vindo a diminuir" desde 2022.
Vila Nova de Gaia.
Vila Nova de Gaia.Foto: Igor Martins/Global Imagens
Publicado a

O turismo contribuiu com 36.200 milhões de euros para a economia em 2025, correspondendo a 11,8% do Produto Interno Bruto (PIB), e com 0,3 pontos percentuais para o crescimento real da economia, divulgou o INE nesta segunda-feira, 3 de agosto.

Segundo os resultados da Conta Satélite do Turismo do Instituto Nacional de Estatística (INE), “estima-se que, em 2025, o consumo turístico tenha tido um contributo total (direto e indireto) de 11,8% (36.200 milhões de euros) para o PIB e de 11,4% (30.400 milhões de euros) para o VAB [Valor Acrescentado Bruto] da economia nacional”.

Face a 2024, o PIB e o VAB total do turismo aumentaram, respetivamente, 5,3% e 5,5%, em termos nominais.

Apesar do contributo do turismo para o crescimento real do PIB continuar a ser positivo, o INE nota que "tem vindo a diminuir": Depois de representar 3,6 pontos percentuais de uma variação em volume do PIB de 7,0% em 2022 e 1,2 pontos percentuais de um crescimento de 3,1% em 2023, esse contributo reduziu-se para 0,4 pontos percentuais em 2024 e 0,3 pontos percentuais em 2025.

Em 2025, o VAB direto gerado pelo Turismo (VABGT) registou uma variação nominal igual à do VAB nacional (5,6%), enquanto o Consumo do Turismo no Território Económico (CTTE) aumentou 4,9%, abaixo da variação nominal do PIB nacional (5,9%).

Estimado em 21.473 milhões de euros, o VABGT representou 8,1% do VAB nacional em 2025, mantendo a importância relativa no triénio 2023-2025, tendo o CTTE somado 49.350 milhões de euros e representado 16,1% do PIB, um “ligeiro decréscimo” face ao máximo histórico alcançado em 2023 (16,3%) face aos 16,2% de 2024.

Em 2023, o emprego nas atividades características do turismo a tempo completo registou “um crescimento significativo” de 10,6%, acima da economia nacional (3,8%), representando 10,4% do emprego em Portugal (9,8% em 2022).

O emprego remunerado nestas atividades aumentou 11,0%, enquanto o não remunerado cresceu 8,6%, o que compara com crescimentos na economia nacional de 3,9% e 3,8%, respetivamente.

De acordo com o INE, este dinamismo reflete a continuação da recuperação da atividade turística após o impacto marcadamente negativo da pandemia.

Na mesma linha, todas as atividades características do turismo apresentaram crescimentos no emprego e nas remunerações, resultando num “aumento significativo” do emprego total (10,6%) e ainda mais pronunciado das remunerações (21,6%).

No emprego, as atividades que registaram crescimentos mais elevados foram os “outros transportes” (18,9%), o “aluguer de equipamento de transporte” (18,6%) e os “hotéis e similares (15,2%)”, enquanto nas remunerações as atividades dos transportes aéreos evidenciaram o crescimento mais significativo (54,5%), “refletindo a alteração de políticas remuneratórias restritivas adotadas pelo setor durante o período pandémico”.

Embora a remuneração média por trabalhador nas atividades do turismo tenha aumentado 9,8% em 2023, manteve-se inferior à média nacional, correspondendo a 92,8% do total da média da remuneração nacional.

As estatísticas divulgadas hoje pelo INE posicionam ainda Portugal face a outros países europeus quanto ao peso do turismo no PIB, indicando que, em 2024, o país "se manteve em posições de topo" relativamente ao peso do CTTE e do VABGT na economia nacional".

Assim, nesse ano, “Portugal manteve a segunda posição no que se refere à importância relativa da procura turística no PIB (16,2%), atrás da Islândia, que manteve a primeira posição (19,2%)”.

Segundo o instituto estatístico, “com exceção da Finlândia (-3,1%), os restantes países registaram aumentos do CTTE, refletindo a dinâmica do setor no período pós-pandemia”, tendo Portugal registado uma variação de 6,8% e a Chéquia assumido um lugar de destaque com uma taxa de 10,7%, a mais elevada de entre o conjunto de países com informação disponível para 2024.

Segundo o Eurostat, o peso relativo do VABGT no VAB da economia portuguesa (8,1%, em 2024) foi superado apenas pelo registo da Croácia (10,5%, em 2022).

Vila Nova de Gaia.
Brasil é quarto país que mais ampliou turismo internacional, diz OCDE
Vila Nova de Gaia.
Crescimento das viagens turísticas dos portugueses ao estrangeiro duplica no arranque de 2026
Vila Nova de Gaia.
Pedro Costa Ferreira é candidato à presidência da Confederação do Turismo
Diário de Notícias
www.dn.pt