

O turismo fluvial na Via Navegável do Douro (VND) atingiu os 1.142.540 passageiros até setembro, destacando-se o segmento cruzeiros na mesma albufeira, no Porto/Gaia ou Pinhão, que representa 80% de todo o movimento.
No ano em que o Alto Douro Vinhateiro (ADV) celebra 25 anos da classificação pela UNESCO, a 14 de dezembro de 2001, o turismo fluvial nesta que é uma importante porta de entrada na região mantém uma trajetória de crescimento.
Nesta segunda-feira assinalam-se também os 36 anos da inauguração da VND em toda a sua extensão, desde a foz do rio, no Porto, até Barca d’Alva, junto à fronteira espanhola e, a propósito, no domingo, celebra-se o Dia do Douro, no Peso da Régua, distrito de Vila Real.
Raquel Maia, da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), disse à agência Lusa que a distinção pela UNESCO é uma bandeira do Douro, que potenciou a projeção internacional deste território.
O rio é, na sua opinião, uma forma privilegiada de descobrir a região e, segundo realçou, nas últimas décadas, o turismo “tem vindo sempre a crescer” no Douro, quer em número de passageiros, quer em oferta, desde os cruzeiros na mesma albufeira, os cruzeiros de um dia, barcos-hotéis ou recreio.
“Cresce em número e cresce em diversificação”, afirmou, apontando para um novo recorde de passageiros em 2026.
Este ano, até setembro, contabilizam-se 1.142.540 passageiros na VND, um número que representa, até ao momento, um aumento de 0,60% (mais 6.831 passageiros) do que em 2025, mas mais 14,13% em relação a 2023.
O que mostra que, apesar de uma ligeira desaceleração, a procura pelo turismo fluvial no Douro “continua elevada”.
Do número total de passageiros registados este ano, 913.582 viajaram nos cruzeiros na mesma albufeira, com destaque para os circuitos entre as pontes na zona do Porto e Vila Nova de Gaia, mas também no Pinhão (Alijó), representando este segmento cerca de 80% de todo o movimento de passageiros e um aumento de 0,95% face ao ano passado.
Já os navios-hotel registaram 96.153 passageiros, mais 0,34% do que em 2025 e 19,77% do que em 2023.
O movimento nos cruzeiros de um dia foi de 125.482 passageiros, menos 1,21% face a 2025, com a APDL a referir que esta atividade apresenta uma tendência estrutural de perda de procura, contrastando com o crescimento dos cruzeiros na mesma albufeira e dos navios-hotel.
O recreio é a tipologia com pior evolução, registando 7.323 passageiros este ano, menos 6,94% do que em 2025. Desde 2023, a quebra acumulada é de 21,99%, sendo este o segmento que apresenta a maior redução percentual neste período.
Raquel Maia defendeu que o crescimento no turismo fluvial seja feito de forma sustentável, com qualidade, razoabilidade e com o “devido balanceamento” com quem vive no território e os municípios.
A APDL assumiu a gestão da VND em 2015 e, segundo a responsável, o foco tem sido a “segurança da navegação” para quem ali opera e para os passageiros.
A VND tem cerca de 200 quilómetros, é navegável em toda a sua extensão desde 1990 e, desde então, o rio tornou-se numa das principais atrações turísticas deste território.
O rio tem cinco eclusas e um desnível de 125 metros desde o estuário, no Porto, até à fronteira, em Barca d'Alva.
E é esta VND que se quer celebrar com o Dia do Douro no domingo, na Régua, com atividades como a 1.ª Corrida do Douro Navegável, que inclui uma prova de 10 quilómetros e uma caminhada de cinco quilómetros, com percurso entre os concelhos da Régua e de Lamego.
Durante o dia haverá ainda batismos de navegação em minicruzeiros com embarque no cais da Régua, visitas ao edifício da APDL/Douro e ao Museu do Douro, parque de insufláveis, pinturas faciais, jogos em família, animação de rua, atuação de associações locais e comida de rua.
Raquel Maia disse que se pretende que seja “um dia de festa”, que quer chamar a atenção para o rio e para a sua preservação.