UE já gastou mais 100 mil milhões em combustíveis fósseis desde o início da guerra

A dependência de fontes energéticas externas já fez os Estados-membros chegarem a um valor acumulado com nova dígitos, no que respeita à importação de gás e petróleo. Na origem está a crise em Ormuz.
A guerra torna menos frequente, mais perigoso e mais caro o transporte de petróleo através do estreito de Ormuz.
A guerra torna menos frequente, mais perigoso e mais caro o transporte de petróleo através do estreito de Ormuz.FOTO: STRINGER/EPA
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A União Europeia (UE) já ultrapassou 100 mil milhões de euros em custos adicionais este ano com importações de gás e petróleo devido à dependência de combustíveis fósseis importados em contexto de crise energética, anunciou a Comissão Europeia.

“Embora os tempos sejam difíceis, já ultrapassámos os 100 mil milhões de euros que pagámos a mais pela nossa energia este ano, sem recebermos uma única molécula adicional de gás ou petróleo”, afirmou o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, aludindo ao impacto da subida dos preços nos mercados energéticos internacionais.

Em declarações à chegada à reunião informal dos ministros da Energia da UE, realizada em Dublin pela presidência irlandesa do Conselho, o responsável apontou que tais números demonstram “quão prejudicial” é para o espaço comunitário depender de fontes de energia provenientes de outras partes do mundo, nomeadamente de fornecedores do Médio Oriente, considerando essa dependência “insustentável” para os cidadãos e para a economia europeia.

“Éramos dependentes da Rússia, uma dependência da qual, felizmente, estamos agora a libertar-nos, mas, ainda assim, continua a ser verdade que, quando os preços sobem no mercado global, isso também prejudica os nossos cidadãos e prejudica as nossas indústrias”, elencou Dan Jørgensen.

O comissário europeu da tutela defendeu, por isso, que a UE deve acelerar a transição para fontes de energia produzidas internamente, reduzindo a exposição às importações de combustíveis fósseis.

“Para mim, a conclusão é muito clara: precisamos de acabar com essa dependência”, considerou.

A estratégia passa, de acordo com o responsável, por substituir os combustíveis fósseis importados por fontes energéticas produzidas na UE, nomeadamente por “energia produzida internamente, por eletrões verdes”.

Dan Jørgensen recordou que a Comissão Europeia já apresentou este ano um plano de ação para a eletrificação, uma medida que enquadra na estratégia europeia para reduzir a dependência energética externa e acelerar a transição para uma economia baseada em eletricidade produzida a partir de fontes menos poluentes.

“É também por isso que apresentámos um plano de ação para a eletrificação no início deste ano”, indicou.

Em cima da mesa está, ainda, um pacote destinado a reforçar as redes elétricas, com o objetivo de melhorar as interligações entre os países da UE e facilitar a circulação de eletricidade no mercado europeu.

“Estamos também a negociar neste momento com os legisladores europeus um pacote para as redes que garantirá que a Europa esteja efetivamente interligada”, referiu o responsável.

A melhoria das interligações deverá permitir, segundo o comissário, reduzir os custos e acelerar a transição energética, tanto para os consumidores como para o setor industrial.

O objetivo é garantir uma rede europeia “que torne isto tão barato e tão rápido quanto possível para os nossos cidadãos e para as nossas indústrias”, adiantou Dan Jørgensen.

As declarações surgem num contexto de preocupação na UE com o impacto da crise no Irão e no Médio Oriente na segurança energética e nos preços internacionais dos combustíveis fósseis.

Perante o risco de novas perturbações no abastecimento, a UE tem procurado reduzir a dependência energética externa através da eletrificação, do reforço das redes e do aumento da produção de energia interna.

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