Ultimato à China: Bruxelas exige cortes em híbridos para travar défice diário de mil milhões

A UE quer que o país se comprometa a restringir a quota de automóveis híbridos fabricados na China a cerca de 15% do mercado europeu, em contraste com a atual participação de mais de um terço.
Ultimato à China: Bruxelas exige cortes em híbridos para travar défice diário de mil milhões
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A União Europeia (UE), segundo o Financial Times, avançou com uma proposta à China para limitar voluntariamente as exportações de automóveis híbridos para o mercado europeu, com o intuito de evitar a imposição de novas tarifas e controlar a crescente entrada de veículos chineses.

A UE sugere que o país se comprometa a restringir a quota de automóveis híbridos fabricados na China a cerca de 15% do mercado europeu, em contraste com a atual participação de mais de um terço.

Um responsável europeu, citado pelo jornal, afirmou que se não houver essa iniciativa da parte chinesa em relação "às exportações para o nosso mercado, então fá-lo-emos nós”. O objetivo é, segundo o próprio, “travar a desindustrialização” e avançar para um modelo de “comércio gerido”.

Esta proposta surge em um contexto de reuniões decisivas previstas para outubro entre autoridades europeias e chinesas em Pequim, com a finalidade de abordar os desequilíbrios comerciais que têm surgido entre os dois blocos.

Além dos automóveis, Bruxelas também apresentou propostas de restrições voluntárias para as exportações de outros produtos chineses, como químicos, e solicitou que Pequim aumente as aquisições de bens europeus.

Saliente-se que durante um discurso sobre o Estado da União, que ocorreu esta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que o défice comercial da UE com a China, que equivale a cerca de mil milhões de euros por dia, atingiu um “ponto de viragem”.

Prometeu ainda utilizar "todos os instrumentos à disposição para reequilibrar a relação. As palavras são boas. Mas os atos são melhores”, acrescentou.

Com a intenção de fomentar avanços concretos nas relações comerciais, o comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, tem agendada uma visita a Pequim na segunda semana de outubro.

A UE estabeleceu precisamente o próximo mês como prazo para alcançar “resultados tangíveis” na redução do défice comercial com a China, através de um novo fórum de consultas sobre comércio e investimento.

Bruxelas procura reproduzir um acordo similar ao que foi estabelecido com o Japão em 1986, quando aquele país concordou em limitar voluntariamente as suas exportações de automóveis para a Europa.

As restrições mantidas até 1999 resultaram em investimentos de fabricantes japoneses, como Toyota e Nissan, em unidades de produção na Europa.

A pressão sobre a UE para agir intensificou-se após as importações de veículos híbridos chineses terem atingido um recorde no segundo trimestre deste ano.

De lembrar que Bruxelas impôs, em outubro de 2024, direitos compensatórios de até 45% sobre automóveis elétricos fabricados na China, após uma investigação que concluiu que os fabricantes chineses beneficiavam de subsídios estatais em detrimento dos concorrentes europeus.

O governo chinês, por sua vez, rejeitou essas acusações e respondeu com medidas comerciais sobre produtos europeus, como conhaque e laticínios.

A verdade é que as importações europeias de automóveis híbridos chineses aumentaram significativamente, passando de 3.800 unidades em outubro de 2024 para cerca de 50 mil em julho deste ano, enquanto os preços médios destes veículos diminuíram.

Fabricantes europeus, incluindo o grupo Volkswagen, têm defendido a aplicação de tarifas semelhantes às importações de híbridos chineses, à medida que a indústria automóvel europeia enfrenta cortes de postos de trabalho e crescente concorrência dos modelos produzidos na China.

Já a China argumenta que a competitividade dos seus produtos se deve à eficiência das suas empresas e rejeita as acusações europeias de práticas desleais.

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