Afonso Freitas lidera a operação da multinacional britânica em Portugal.
Afonso Freitas lidera a operação da multinacional britânica em Portugal.Wireless Logic

Wireless Logic investe 1M€ em Portugal para acelerar a revolução da conectividade IoT e ‘Smart Cities’

Afonso Freitas, Business Development Principal manager Iberia da maior empresa mundial do setor, revela as razões da aposta reforçada no mercado português e explica como a conectividade multioperador e a IA garantem retornos de investimento entre 20% e 30% para PME e municípios
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Portugal está a posicionar-se como um polo dinâmico de transição digital e inovação na Península Ibérica. Atraída pelo talento local, pelo crescimento do tecido empresarial e pela crescente procura por infraestruturas urbanas inteligentes, a Wireless Logic - líder global em conectividade IoT gerida, com mais de 18 milhões de subscrições ativas em 165 países - anunciou este ano um plano de investimento de um milhão de euros em Portugal até 2027.

Embora presente em Espanha desde 2012, onde conta com escritórios em Bilbau, Madrid e Barcelona, este é o momento em que a multinacional de origem britânica decidiu apostar fortemente no mercado português.

“Portugal tem setores muito atrativos e um ecossistema empresarial com forte vontade de expansão internacional”, diz ao DN/DV Afonso Freitas, Business Development Principal manager Iberia da Wireless Logic. “O mercado português é muito parecido com o espanhol e a nossa meta é replicar o modelo de sucesso que construímos na Península Ibérica, adaptado às especificidades locais”.

Para o cidadão comum, a Internet das Coisas (Internet of Things - IoT) pode parecer um conceito abstrato, ou então algo como lâmpadas ou eletrodomésticos inteligentes, mas está presente no quotidiano urbano de forma constante, a enviar e receber dados de coisas tão diferentes como sistemas de iluminação pública, máquinas de tabaco ou contentores de lixo “inteligentes”. A proposta de valor da Wireless Logic passa por simplificar radicalmente a infraestrutura que suporta esses dispositivos.

Com apenas um cartão SIM (ou eSIM) e uma plataforma centralizada de gestão, as empresas e municípios passam a ter acesso às redes móveis dos três operadores nacionais em Portugal (MEO, NOS e Vodafone) e a mais de 190 mercados internacionais, sem necessidade de gerir múltiplos contratos de telecomunicações.

“Nós damos conectividade a tudo, menos a tablets ou telemóveis. Falamos de cacifos inteligentes (smart lockers), contadores de água e energia, máquinas de vending, postos de carregamento elétrico e até relógios de monitorização para a terceira idade no setor da Saúde”, explica ao responsável. A grande maioria das vezes aparelhos que estão ligados à internet e o utilizador comum nem dá por isso. “O sucesso da Internet das Coisas mede-se por ser invisível: as pessoas querem ter a sua experiência sem chatices e a conectividade só tem de estar lá a funcionar com segurança.”

Além de ser agnóstica em relação ao hard- ware (compatível com qualquer sensor ou router no mercado), a Wireless Logic alargou recentemente a sua oferta a soluções de infraestrutura, utilizando routers europeus e parcerias globais de conectividade via satélite (através da Starlink Enterprise), permitindo ligar operações em locais remotos onde a rede celular tradicional não chega, como explorações de hidrocarbonetos, centros logísticos e supermercados isolados.

A empresa tem, a nível de cibersegurança, uma equipa internacional dedicada que conta com “cerca de 200 técnicos”, diz o Afonso Freitas, que prometem detetar as ameaças “antes delas chegarem ao cliente”.

Estrutura em expansão

Portugal está bem equipado a nível de telecomunicações e cibersegurança - o que motivou também a expansão da empresa para o nosso país - ainda que o arrastar do leilão do 5G conduzido pela Anacom tenha provocado atrasos na adoção desta tecnologia. No entanto, no universo do IoT, Afonso Freitas desmistifica o impacto dessa demora no desenvolvimento das cidades inteligentes.

“A maior parte das aplicações de IoT não requer volumes massivos de dados como terabytes ou gigabytes. Sensores de iluminação, contadores ou ecopontos comunicam com apenas alguns megabytes e a esmagadora maioria dos dispositivos mundiais opera perfeitamente sobre 4G (e até 2G)”, diz Afonso Freitas, que no entanto admite: “O atraso do 5G não bloqueou o ecossistema - o 5G será, sim, fundamental nos próximos anos, quando massificarmos o uso de câmaras HD e vídeo em tempo real no terreno.”

Segundo este responsável, em termos de maturidade de Smart Cities, Portugal encontra-se ainda numa fase de aceleração e aproximação aos líderes europeus. Embora apresente uma taxa de penetração ligeiramente inferior à de Espanha, devido à dimensão do mercado, a taxa de crescimento anual composta, “o chamado CAGR, é bastante alto em Portugal”.

Esta dinâmica traduz-se em verticais urbanos de forte expansão, onde a iluminação pública inteligente lidera: “É o que está com maior potencial de crescimento, para otimizar não só custos, mas também poder dar melhores serviços”, diz Afonso Freitas. Também as outras utilities ganham força, através da medição inteligente de água e energia, eliminando leituras manuais e prevenindo desperdícios.

Na gestão ambiental, os resíduos inteligentes destacam-se pela monitorização remota de ecopontos para otimização de rotas de recolha, aliviando o trânsito urbano e reduzindo as emissões de dióxido de carbono. Na mobilidade e nos pagamentos, a integração de SIM multioperador assegura a fiabilidade de postos de carregamento elétrico e terminais POS.

ROI de 20% a 30% e ganho de escalabilidade para as PME

Para as pequenas e médias empresas (PME), que constituem a grande maioria do tecido empresarial português, a adoção de conectividade IoT gerida traduz-se em ganhos diretos de produtividade e redução de custos, realça este responsável. A Wireless Logic calcula que o Retorno de Investimento (ROI) médio ronde os 20% a 30%.

O principal trunfo reside na escalabilidade internacional. Afonso Freitas exemplifica com o caso real de uma PME de Coimbra produtora de máquinas de vending que expandiu a sua operação para os Estados Unidos e o Brasil: “Antes de trabalharem connosco, teriam de contratar pessoal para renegociar contratos com operadoras locais em cada país. Connosco, apenas compram um SIM que funciona em qualquer parte do mundo através da mesma plataforma. Conseguem entrar em novos mercados num terço do tempo e com menos recursos humanos alocados a tarefas burocráticas.”

A visão de futuro para as cidades e empresas passa pela convergência entre a recolha contínua de dados no terreno e o processamento analítico de dados.

Com a transição para cidades mais sustentáveis, a conectividade IoT funciona como o “sistema nervoso” que alimenta os algoritmos de Inteligência Artificial. Para os autarcas e gestores públicos, esta combinação permite libertar recursos operacionais da rua para os reafetar a áreas prioritárias de inovação e apoio social.

Afinal, “a Inteligência Artificial precisa dos dados fiáveis que a conectividade IoT proporciona. A combinação das duas tecnologias é o verdadeiro ‘ponto de rebuçado’. Vai permitir aos autarcas e empresários tomar decisões muito mais assertivas, tornando a gestão das cidades e das empresas significativamente mais eficiente e menos complexa”.

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