Nos últimos dois anos, a fraude nas telecomunicações móveis tem vindo a aumentar e os números nos Estados Unidos espelham esta realidade. Segundo a Inc. 5000, 29% de todas as chamadas recebidas este ano faziam parte de um esquema fraudulento e prevê-se que no próximo ano este valor suba para os 44,6%.
O estudo desenvolvido pela empresa First Orion, revela que em 2017 apenas 3,7% de todas as chamadas recebidas nos Estados Unidos eram fraudulentas, o que mostra que a percentagem têm vindo a aumentar significativamente no mercado norte-americano. Todos os meses, os americanos recebem 2,4 mil milhões de chamadas robôs, tratando-se quase sempre de uma burla, as designadas IRSF (International Revenue Share Fraud). Mais de metade das reclamações referem-se a chamadas telefónicas indesejadas, aponta o mesmo estudo.
Geralmente, os números que surgem no visor são encriptados e as chamadas são feitas do exterior, o que torna muito difícil localizar o responsável pela fraude. Estando longe do país, esta fraude fica também longe da lei que poderá protegê-lo na altura de fazer queixa às autoridades.
Na maior parte dos casos, estes esquemas envolvem dinheiro e a estratégias passa por pedir faturas em atraso, oferecer prémios e viagens aliciantes que incluam ceder parte dos dados do cartão de crédito. “Ano após ano, as epidemias de fraudes atingem os consumidores em níveis recorde, ultrapassando os anos anteriores e os burlões começam a invadir a nossa privacidade em novos extremos”, sublinha Charles D. Morgan, CEO e data scientist da First Orion.
As burlas mais comuns atingem as comunidades imigrantes, por terem menos conhecimento do sistema legal em vigor. Quem é enganado pode perder milhares de euros. A solução pode passar por instalar sistemas de bloqueio de identidade das chamadas no próprio telemóvel, para que não seja possível reterem os seus dados.
Portugal não escapa à crescente onda de tentativas de golpe via telemóvel. Em maio deste ano, a PSP lançou o alerta para uma série de telefonemas fraudulentos, onde os burlões se identificavam como sendo agentes da polícia. Neste esquema, as pessoas de que tinham multas de milhares de euros por pagar e que poderiam fazê-lo através de um NIB indicado durante o mesmo telefonema.
Para além das chamadas, as redes sociais são mais espaço para este tipo de golpes. Em março, a TAP lançou o alerta geral para uma mensagem falsa que circulava no Facebook, sobre uma oferta aliciante de dois bilhetes de avião à distância de um clique.
As reclamações atingem as centenas de milhares de reclamações por ano e estima-se que provoquem prejuízos de mais de 9 mil milhões de euros às empresas. A solução pode passar por instalar sistemas de bloqueio de identidade das chamadas no próprio telemóvel, para que não seja possível reterem os seus dados. Em Portugal, há uma empresa que tenta combater este tipo de fraudes, através da aplicação Raid.Cloud.