Durante décadas, milhares de pessoas rumaram aos Estados Unidos da América à procura do sonho americano. Os portugueses não foram exceção e hoje a população luso-americana já ultrapassa 1 milhão de residentes. Um sonho onde todos os homens e mulheres, independentemente das suas origens, com trabalho e dedicação, podiam ter uma vida melhor. Rumavam em busca de oportunidades infinitas, um direito que estava proclamado na Declaração de Independência.
Um sonho que foi contado e recontado em dezenas de filmes e livros e que foi vivido intensamente por muitas gerações. Mas, a sociedade evolui e os sonhos também.
Dados relativos a 2021 divulgados pelo Wall Street Journal, revelam que existem cerca de 7000 residentes dos EUA em Portugal. E muitos vieram em busca do sonho português. Um sonho que é uma história verídica de um cliente, que há uns anos trocou os dólares americanos pela simpatia nacional, e que explica a procura crescente pelo nosso país e que vai muito além das motivações fiscais que lhes são, facilmente, associadas. Um sonho desvalorizado pelos locais, mas que tenho visto refletido em muitas outras histórias ao longo dos últimos anos.
Um sonho no qual as pessoas se conhecem pelo nome, se cumprimentam nas ruas (mesmo não sendo familiares ou amigos), onde os funcionários dos restaurantes e cafés sabem o que gostam e como bebem o seu café.
Onde viver na periferia não implica horas diárias em deslocações e que permite jantares diários em família.
Onde os passeios na praia são frequentes, as idas ao parque são tranquilas e o contacto com a natureza uma realidade, porque o clima ameno e os 300 dias de sol por ano, permitem tirar partido do ar livre e da natureza durante todo o ano.
Onde é possível andar na rua sem olhar constantemente para trás, não é necessário trancar as portas de casa e do carro de forma obsessiva, não existe a preocupação com o porte e uso de arma e é possível parar para se dar indicações a estranhos.
Onde todos têm acesso ao sistema nacional de saúde e ao ensino público, mas também é possível optar pela oferta privada em caso de preferência.
Onde o custo de vida é inferior aos países de origem, mas isso são apenas trocos em comparação com a riqueza e qualidade de vida que encontram.
Imigrantes que chegam a Portugal em família e não apenas para gozar a reforma. Vêm cada vez mais cedo e em idade laboral porque o teletrabalho assim o permite.
São milhares de novos residentes que vivem, experienciam e gastam em território nacional contribuindo para o crescimento económico do país.
Se no passado os portugueses saíam de Portugal em busca do sonho americano, hoje, para os nativos dos Estados Unidos o sonho é outro e fala português.
Ayres Neto, Sócio Gerente da The Agency Portugal