Propondo uma avaliação experimental de um programa de formação dirigido a gestores de pequenos negócios do setor do retalho e da indústria transformadora em Portugal, o projeto "Empreendedorismo como Estratégia de Mobilidade Social e Inclusão" - realizado pelos professores Cátia Batista, Miguel Ferreira e Francisco Queiró e pela aluna de doutoramento Inês Marques, da Nova School of Business (Nova SBE) - destacou-se entre as 500 candidaturas, entre Portugal e Espanha, e ganhou o financiamento de 100 mil euros da Social Research Call 2021 da Fundação La Caixa.
"Os economistas e os decisores políticos referem-se frequentemente ao empreendedorismo e criação de empresas como sendo alavancas de mobilidade, inclusão social e criação de emprego. No entanto, muitos poucos negócios são capazes de crescer e ter um número de postos de trabalho significativo. Em Portugal, apenas 4% dos negócios têm pelo menos dez trabalhadores", observa Miguel Ferreira em entrevista ao Dinheiro Vivo. O investigador destaca a "necessidade de contribuir para o debate sobre a eficácia de programas de formação em gestão empresarial e nos diferentes mecanismos que ajudam a explicar o sucesso e crescimento de uma empresa".
Através de ações de formação aplicadas a uma amostra de cerca de 200 pessoas, a equipa de investigadores espera remover erros involuntários praticados pelos gestores, que possam vir prejudicar os negócios, e aperfeiçoar "as práticas e conhecimentos de negócios, atuando na melhoria de indicadores de desempenho como a escala de operações, a criação de empregos e lucro", explicam. Questionado sobre o tipo de erros mais praticados pelos gestores, Miguel Ferreira diz que esta questão que não está comprovada, sendo precisamente "os mecanismos e os determinantes que contribuem para o sucesso empresarial, incluindo nas componentes mais subjetivas, como as competências não cognitivas", o que o estudo pretende descobrir.
O programa tem como público-alvo gestores de PME em Portugal - de preferência, sem curso superior ou formação prévia -, cujas empresas tenham mais de três anos de vida e empreguem mais de três pessoas. Estimada para três meses, a formação irá focar-se em áreas como estratégia, marketing, finanças, operações, liderança, e será dividida em diferentes módulos, a serem lecionados de forma híbrida (80% presencial e 20% online) ao fim de semana, de modo "a permitir uma acrescida flexibilidade aos gestores em termos de deslocações". A ministrá-la estará um corpo docente de "elevada qualidade, com anos de experiência na área de formação de executivos" da Nova SBE, observa o investigador.
A bolsa da Fundação La Caixa será, na sua maioria, destinada "a cobrir os custos do programa, principalmente os custos com pessoal, incluindo o docente e também uma componente de coaching individual, que será essencialmente um acompanhamento personalizado de cada gestor", revela Miguel Ferreira, acrescentando que o financiamento permitirá ainda disponibilizar a formação a um custo "muito inferior ao seu valor de mercado".
De acordo com o responsável pelo projeto, o IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação, que se assume como parceiro institucional deste programa, tem um papel preponderante no que toca à abordagem junto das empresas do país para apresentar o programa. A somar, os investigadores contam ainda com "a experiência do IAPMEI sobre a realidade das PME em Portugal - o que permitiu desenhar um programa adequado às suas necessidades específicas".
Relativamente à previsão de abordagem a outros setores que não o do retalho e da indústria transformadora, a equipa revela não ter nenhuma restrição e que, assim que "contar com os números de adesão ao programa e inscrições", irá "pensar em diferentes formas de medir o impacto em diferentes setores e indústrias".