Emigrantes e mais ricos provocam salto na receita do IMT em Faro

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Os emigrantes estão a aproveitar as promoções de imóveis para

investir no Algarve. Resultado mais imediato deste súbito interesse:

a receita de IMT da Câmara de Faro teve em Agosto um "salto"

de 500 mil euros. Mas esta é a excepção que confirma a regra. A

generalidade das autarquias está com quebras substanciais nas

receitas fiscais, especialmente na derrama de IRC e no IMT, os

impostos mais "dependentes" do andamento da economia.

Em apenas um mês a câmara de Faro passou de um saldo deficitário

no IMT para uma situação de equilíbrio. Entre Janeiro e Julho

deste ano, a receita deste imposto comparava "mal" com os

valores de 2010. Mas em Agosto a situação inverteu-se com a

autarquia presidida por Macário Correia a receber mais 500 mil euros

do que no mês homólogo. Os "responsáveis" por esta

surpresa foram sobretudo os emigrantes e também alguns portugueses

com poder de compra que estão a aproveitar o momento de crise para

comprar casas no Algarve, a preços e condições muito mais

vantajosas do que há um par de anos atrás.

"O mercado abrandou muito a partir de 2008, mas agora há

pessoas a investir porque sentem que há boas oportunidades de fazer

grandes negócios", disse ao Dinheiro Vivo Reinaldo Teixeira,

responsável pela Garvetur, uma das maiores imobiliárias do Algarve.

Como cresce o défice

Apertados entre os empréstimos e as casas que não conseguem

vender ao preço idealizado, muitos promotores começaram a fazer

"saldos". E o mesmo se passa com os imóveis que estão

agora na carteira dos bancos. Ao preço promocional, juntam-se

maiores facilidades no acesso ao crédito. Estes ingredientes,

misturados com algum poder de compra e a "motivação natural

dos emigrantes" para investir e com isso "ajudar o seu

país", explicam o "Verão" atípico de Faro. Cascais

também não reporta quebras de receita porque é uma zona onde a

procura de imóveis se tem mostrado relativamente imune à crise

económica.

Nos restantes impostos e na generalidade das autarquias não há

excepções. A regra é mesmo a da crise. No Porto, a quebra no IMT

era em Agosto da ordem dos 21,9% face a 2010. Na derrama de IRC (que

incide sobre os lucros das empresas gerados no município), o recuo

era ainda mais substancial, atingindo 70,1%. Em termos de IRC, o

município presidido por Rui Rio segue a tendência geral: em Lisboa

a quebra está na casa dos 51,3%; em Santarém nos 42%, Vila Franca

de Xira reporta descidas de 40% e Vila Nova de Gaia de 50%. No IMT, o

resultados mostram que a crise não poupa autarquias maiores - Lisboa

e Gaia registam descidas de, respectivamente, 13% e 17%- nem as mais

pequenas (como Proença a Nova, onde a diminuição é de 50%).

Mas há ainda outro imposto cuja evolução preocupa os autarcas:

o IMI. Apesar das taxas máximas terem descido, a tendência

"natural" da receita do IMI é subir, por efeito das

isenções que vão chegando ao fim. Mas os valores entregues pela

DGCI em Maio mostram ou ligeiras quebras ou valores muito semelhantes

aos de 2010, o que significa que há pessoas que estão a deixar de

pagar este imposto. Nas contas do responsável pelo pelouro das

Finanças de Cascais, a taxa de incumprimento estará a rondar os

30%.

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