Empresa do grupo Mello para os vinhos já investiu 30 milhões e prepara reforço do enoturismo no Douro e Lisboa

A assinalar um ano sobre o lançamento do projeto, a WineStone reitera objetivo de estar entre os três maiores grupos de vinho em Portugal até 2030. A holding, que deverá acabar 2024 a faturar mais de 20 milhões de euros, diz que está atenta a oportunidades de aquisição.
Quinta do Retiro Novo, no Douro., uma das que vai beneficiar de investimento da Winestone. Foto: Direitos Reservados
Quinta do Retiro Novo, no Douro., uma das que vai beneficiar de investimento da Winestone. Foto: Direitos Reservados
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A WineStone, holding do grupo José de Mello para o vinho, que recentemente terminou um investimento de seis milhões de euros na capacitação das infraestruturas produtivas na Ravasqueira, no Alentejo, está agora apostado em reformular e recuperar as adegas que tem na Quinta de Pancas, na região de Lisboa, e na Quinta do Retiro Novo, no Douro. Os investimentos, com um grande foco também no enoturismo, não estão ainda contabilizados, mas a intenção é que sejam realizados em 2025 e 2026, de modo a estarem operacionais em 2027.

“Estamos, neste momento, a fazer um projeto bastante ambicioso e inovador, daquilo que vai ser a nova adega de Quinta de Pancas, uma adega que vai ter uma capacidade para responder à nossa ambição em termos de crescimento.

Queremos que a Quinta de Pancas seja um dos principais produtores da região do Lisboa. No Retiro Novo vamos manter o ADN da quinta, mas renovar todas estas infraestruturas da adega. Vai ser um investimento bastante relevante, mas não estou em condições ainda de avançar com números”, referiu, em declarações ao DN, o CEO da empresa, à margem de uma visita ao Douro para assinalar um ano sobre o lançamento do projeto WineStone.

Pedro Pereira Gonçalves lembra que “Portugal está no top dos destinos de enoturismo no mundo”, classificando o negócio de “muito atrativo”, na medida em que “agrega valor às marcas e atrai clientes”. Na Ravasqueira, já recebe cinco mil visitantes ao ano, para experiências diferenciadas, que vão desde atividades nas vinhas, a provas e a gastronomia. “Estamos a olhar com muita atenção e a desenvolver estudos sobre todas as valências do enoturismo”, diz, sem especificar se os dois projetos contemplarão, ou não, dormidas.

Sobre o último ano - foi em outubro de 2023 que a WineStone se apresentou, afirmando a vontade de, até 2030, ascender ao top 3 das maiores empresas de vinhos em Portugal, uma ambição que Pedro Pereira Gonçalves reiterou ontem, no evento em que juntou jornalistas e especialistas de vinhos no Douro -, este responsável fala num investimento acumulado de 30 milhões de euros e num ciclo de integração dos novos projetos, em que se incluem ainda as marcas de vinho do Porto Krohn, de DOC Douro Quinta do Côtto e de Vinhos Verdes Paço de Teixeiró, “criando bases sólidas para o seu crescimento”.

Com 160 hectares de vinhas divididos por Verdes, Douro, Lisboa e Alentejo e uma produção que este ano se cifrará em dez milhões de garrafas, a WineStone estima fechar 2024 com vendas “em linha” com os 23,5 milhões de euros faturados em 2023. Graças quase exclusivamente às vendas de Ravasqueira. “2024 e 2025 são anos de “integração e de reformulação” do portefólio de vinhos, com novidades a chegar em breve ao mercado. “Estamos focados nos ativos que adquirimos e em garantir que eles sejam uma base sólida para o desenvolvimento do grupo”, refere Pedro Pereira Gonçalves que admite tratar-se de uma tarefa “muito desafiante”. “Temos que saber integrar e consolidar para depois criar uma plataforma de crescimento”, considera. Os mercados externos representam hoje 35% das vendas do grupo, o objetivo é que, em 2030, sejam 60%.

Além do crescimento orgânico, o grupo mantém-se atento a oportunidades de novas aquisições”que possam surgir e agregar valor ao projeto”. Quanto a regiões prioritárias, Pedro Pereira Gonçalves não abre o jogo. “Estamos sempre a olhar para todas as possibilidades que possa haver, seja nas regiões onde estamos, seja fora de Portugal, desde que isso traga valor ao nosso plano estratégico e faça sentido. Não há nada de concreto, mas estamos atentos”, refere, sublinhando que o grupo pretende ser “um veículo de criação de valor para o setor do vinho em Portugal e um agente importante da promoção além-fronteiras”.

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