Associação de pequenos investidores desaconselha venda de ações da Martifer na OPA

A OPA geral e obrigatória da Visabeira sobre 14.412.198 ações da Martifer arrancou há uma semana, prolongando-se até 03 de junho, com uma contrapartida de 2,057 euros por ação.
Associação de pequenos investidores desaconselha venda de ações da Martifer na OPA
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A associação de pequenos investidores Maxyield considera “injusto e sem justificação” o valor de 2,057 euros por ação que a Visabeira oferece pelas ações da Martifer, pelo que desaconselha a venda na Oferta Pública de Aquisição (OPA).

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, 25, a Maxyield – Clube dos Pequenos Acionistas defende que “o preço da oferta não é equitativo”, mas antes “injusto e sem justificação”, sendo que “o prospeto da OPA não justifica de forma clara a fixação da contrapartida e sua equitatividade, requisito fundamental para a transparência de mercado”.

“Neste contexto, a Maxyield não recomenda a venda das ações em sede de OPA, cuja condição de sucesso (obtenção de capital superior a 90%), por ora não se dá por adquirida”, sustenta.

A OPA geral e obrigatória da Visabeira sobre 14.412.198 ações da Martifer arrancou há uma semana, prolongando-se até 03 de junho, com uma contrapartida de 2,057 euros por ação.

A operação incide sobre as ações que não se encontram na sua posse, nem dos acionistas de referência I’M e Mota-Engil, os quais, através de um acordo parassocial, representam conjuntamente 85,5% do capital.

De acordo com a Maxyield, a contrapartida oferecida pela Visabeira corresponde ao preço médio ponderado das ações transacionadas em mercado regulamentado nos seis meses imediatamente anteriores à data da publicação do anúncio preliminar, mas o facto é que, "desde o mês de maio de 2025, a ação tem sido negociada consistentemente por valores superiores ao preço oferecido”, o que “demonstra que a contrapartida proposta não é equitativa nem reflete adequadamente o valor da sociedade”.

Adicionalmente, a Maxyield entende que “os fundamentais da Martifer evidenciam uma posição financeira sólida e um potencial de valorização significativamente superior à contrapartida proposta”, o que reforça “a convicção de que o preço oferecido é injusto e sem justificação, não refletindo o justo valor da empresa e do seu potencial”.

A associação salienta ainda que “esta avaliação não é exclusiva da Maxyield”, já que “outros investidores com participações relevantes no quadro do atual ‘free float’ da Martifer têm vindo a manifestar entendimento semelhante”, sendo esta posição “igualmente partilhada pela generalidade dos analistas que acompanham a empresa”.

Para a Maxyield, embora a liquidez da ação da Martifer seja reduzida, tal “não justifica o baixo valor oferecido”.

Neste contexto, a associação recorda ter defendido, em setembro do ano passado, junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a nomeação de um auditor independente para determinação de uma contrapartida mínima justa, entendimento que o regulador não acolheu.

No comunicado hoje divulgado, a Maxyield sublinha que “não se opõe à OPA enquanto mecanismo legítimo e previsto no Código dos Valores Mobiliários”, tal como não se opõe ao “eventual recurso aos instrumentos legais de aquisição potestativa”.

“A sua oposição incide exclusivamente sobre o baixo valor oferecido, que considera lesivo dos interesses dos pequenos acionistas e prejudicial à confiança no mercado de capitais português”, enfatiza.

A associação recorda ainda que, nesta década, “operações semelhantes, com estruturas acionistas comparáveis, não atingiram os objetivos pretendidos”, dando como exemplos as OPA gerais e voluntárias da Sodim (‘holding’ da família Queiroz Pereira) sobre a Semapa e da Sonae sobre a SonaeCom.

“Nas atuais condições de mercado, os investidores que necessitem de liquidez poderão alienar em bolsa as suas ações a preços superiores ao valor da OPA”, nota.

Considerando que esta OPA “dificilmente atingirá os objetivos pretendidos pelo oferente”, a Maxyield acredita que a Martifer “continuará cotada em bolsa, mantendo níveis de liquidez semelhantes aos atuais”.

Refere ainda que, em caso de aquisição potestativa, o valor a receber pelos acionistas remanescentes corresponderá, igualmente, ao valor da OPA.

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OPA da Visabeira à Martifer arranca com contrapartida de 2,057 euros por ação
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