“Atrair os melhores só com cultura de bem-estar”, alerta CEO do Grupo Bernardo da Costa

As empresas enfrentam um novo paradigma global onde são os colaboradores que escolhem onde querem trabalhar, exigindo lideranças mais humanizadas, segundo o empresário bracarense Ricardo Costa.
“Atrair os melhores só com cultura de bem-estar”, alerta CEO do Grupo Bernardo da Costa
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No atual cenário laboral, as pessoas têm o poder de escolher onde querem trabalhar, impulsionando empresas a promoverem uma cultura de bem-estar. Ricardo Costa, CEO do grupo Bernardo da Costa, que lidera 22 empresas em oito países, destacou esta necessidade durante um almoço-debate no International Club of Portugal (ICPT) esta terça-feira.

Inspirado pela criação do Ministério da Felicidade no Dubai, o empresário bracarense implementou o primeiro "Departamento da Felicidade" no seu grupo em 2017. A iniciativa, desenvolvida após a sua experiência no Dubai, visa transformar a cultura organizacional, promovendo a felicidade como estratégia lucrativa. Este conceito é também o tema central do seu livro recentemente publicado: "A Felicidade é Lucrativa".

Perante a plateia do ICPT, o gestor explicou que transformou "portas frias em portas quentes" ao investir na “felicidade organizacional”. Atualmente, diz que fala mais de bem-estar e menos de felicidade e não acredita em quem “despeja benefícios para obter a felicidade”.

O relevante, frisa ainda, é o “ambiente de liberdade”, no sentido de que, se o dia não corre bem, há pessoas na empresa que o vão ajudar, sendo que “a cultura do bem-estar é feita todos os dias”, e não por frases feitas e escritas nos espaços das empresas. Realça que o importante é criar formas de cuidar do equilíbrio e do bem-estar para atingir a felicidade.

Nos tempos que correm, “há transições com grande velocidade”, como no caso da geopolítica, e destacou os 120 focos de tensão atuais em todo o mundo; o problema da demografia que obrigou à imigração; e ainda o tema ambiental, a par do desenvolvimento da tecnologia e o impacto da Inteligência Artificial no futuro das organizações e do emprego.

Aliás, o grande paradigma está no mercado de trabalho, com os melhores colaboradores a escolherem onde querem trabalhar, o que, diz, “constitui um desafio para as lideranças”. O drama português reside nos jovens com a emigração e deu o exemplo de um survey na Universidade do Porto em que 70% dos inquiridos querem concluir os mestrados e sair do país.

Frisa que “são precisas lideranças para transformar as organizações e torná-las mais atrativas, é necessário lideranças inspiradoras e lideranças humanizadas”, que se estruturam nos pilares do erro; da adaptação à mudança; do propósito ou razão para o trabalho comum; nas relações, com mais comprometimento; ainda no salário, o indicador valorizado como número um; ainda a empatia, que significa fazer contigo e é diferente de simpatia; e, não menos relevante neste pilar da liderança humanizada, o exemplo, com equipa comprometida.

Disse ainda que este é o momento para mudar o tipo de liderança, pois as empresas estão a perder pessoas, alertando que, sem cultura organizacional, a criação do direito à felicidade “dará asneira”. Concluiu afirmando que este é o momento para atrair os melhores, sendo que o futuro com a robotização vai deixar as pessoas para “as atividades mais prazerosas”.

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