BCE valida compra de mais de 30% do Commerzbank pelo UniCredit

O aval do supervisor europeu desbloqueia a estratégia do banco italiano, que tenta contornar a resistência de Berlim para avançar com uma aquisição avaliada em mais de 40 mil milhões de euros.
BCE valida compra de mais de 30% do Commerzbank pelo UniCredit
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O UniCredit obteve uma vitória crucial no braço de ferro com o Governo da Alemanha pela compra do Commerzbank. O banco italiano anunciou que o Banco Central Europeu (BCE) autorizou a instituição a assumir o controlo de uma participação acima dos 30% no rival alemão. Com este aval regulatório, o grupo valida legalmente a posição de quase 48% que já tinha construído no capital do Commerzbank.

Num comunicado citado pela Bloomberg, o UniCredit classificou a decisão do supervisor europeu como um "marco importante" no processo de aquisição.

A administração do banco liderado por Andrea Orcel sublinhou que a 'luz verde' demonstra a avaliação favorável do BCE em relação à operação, além de reforçar a confiança na solidez financeira e no "papel de liderança" do grupo italiano no panorama bancário europeu.

O grupo italiano UniCredit, sob a liderança do presidente executivo Andrea Orcel, tem vindo a travar uma batalha com o governo germânico pela liderança do Commerzbank. Caso o negócio avance para uma fusão total, a transação — que avalia o banco alemão num montante superior a 40 mil milhões de euros — passará a figurar como uma das maiores operações no setor da banca nas últimas décadas.

A autorização agora concedida pelo regulador europeu remove o principal travão legal que retinha os direitos de voto do UniCredit sobre o lote de ações assegurado durante a Oferta Pública de Aquisição (OPA) que ocorreu no início do ano. Este parecer técnico favorável emitido pelo BCE incide de forma direta sobre os limiares de capital que ultrapassam a barreira regulatória dos 30%.

Contudo, o desfecho da operação ainda enfrenta barreiras regulatórias importantes. A instituição liderada por Andrea Orcel necessita da validação das autoridades da concorrência da União Europeia, da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) e do regulador do mercado financeiro da Polónia — uma exigência que decorre do facto de o Commerzbank ser o proprietário do mBank, uma das maiores e mais relevantes entidades bancárias polacas.

Uma vez garantidos estes três pareceres favoráveis adicionais, o UniCredit consolidará de forma efetiva o domínio sobre metade dos direitos de voto na instituição germânica. Este patamar assegura ao banco de Milão uma maioria confortável e o controlo estratégico nas decisões votadas em assembleia geral de acionistas.

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