

As instituições financeiras CGD, BCP e Unicre foram escolhidos pelo BCE para o projeto-piloto do euro digital, no qual também participa o Banco de Portugal, disse em comunicado o banco central.
O Banco Central Europeu (BCE), em conjunto com os bancos centrais nacionais da zona euro, selecionou 36 prestadores de serviços de pagamento para participar no projeto-piloto do euro digital, sendo três de Portugal.
O BCE recebeu mais de 50 candidaturas e selecionou operadores de vários modelos de negócio, dimensões e geografias.
Em Portugal, foram selecionados o Banco Comercial Português (BCP), a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e a Unicre.
Em comunicado, o Banco de Portugal, que também participará no projeto-piloto, explicou que o objetivo será testar do ponto de vista técnico e operacional a futura moeda digital e avaliar a experiência dos utilizadores. O projeto-piloto decorrerá no segundo semestre de 2027 e deverá durar 12 meses.
A CGD e o BCP também emitiram hoje comunicados sobre o tema, desde logo considerando ser muito importante a sua participação.
Citado no comunicado, o presidente executivo do BCP, Miguel Maya, disse que o projeto do euro digital "tem todas as condições para vir a ser mais um marco relevante no aperfeiçoamento do projeto europeu".
Por seu lado, o banco público CGD considerou-a "uma iniciativa estratégica para o futuro dos pagamentos na Europa e para a modernização do sistema financeiro europeu".
O BCE lançou o projeto do euro digital em 2021 e avança agora com este piloto, depois de no início do mês o Parlamento Europeu ter respaldado o início das negociações com o Conselho da União Europeia sobre a criação do euro digital.
O euro digital é a moeda digital a ser emitida pelo BCE em conjunto com os bancos centrais nacionais da área do euro e, se for avante, poderá ser utilizada para qualquer pagamento digital no conjunto da zona euro. Os operadores privados vêm reclamando que sejam integrados neste projeto europeu.
Um dos objetivos deste projeto é fomentar a soberania europeia em matéria de pagamentos (pois na Europa é um problema que o sistema de pagamentos seja dominado pelas norte-americanas Visa e Mastercard) e fazer face a cada vez mais instrumentos de pagamento eletrónico privados não regulamentados, como as 'stablecoins' (criptoativos que procuram manter um valor constante em relação a um ativo, como euro ou dólar).