BP quintuplica lucros para 3,3 mil milhões no primeiro trimestre

Resultados foram impulsionados pela subida dos preços do crude no seguimento do conflito no Médio Oriente.
FOTO: AFP
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A petrolífera britânica BP anunciou um lucro líquido atribuível de 3,8 mil milhões de dólares (3,3 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) no primeiro trimestre de 2026, mais de cinco vezes superior aos 687 milhões de dólares (586 milhões de euros) registados no mesmo período de 2025, impulsionada pela subida dos preços do crude no seguimento do conflito no Médio Oriente.

O resultado subjacente ajustado por custos de reposição situou‑se em 3,2 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros), um aumento de 132% face ao primeiro trimestre de 2025, revelou a empresa esta terça-feira, 28 de abril.

Estes ganhos refletem a combinação de margens mais amplas e condições de mercado favoráveis para o sector petrolífero.

No trimestre, as receitas da BP ascenderam a 53,4 mil milhões de dólares (45,5 mil milhões de euros), um crescimento de 11,5% em termos homólogos.

Após a publicação dos números, as ações da empresa chegaram a subir cerca de 2,9%.

A administração atribui o forte desempenho à robustez operacional e às estratégias de trading no mercado de energia, que permitiram à empresa capitalizar o acentuado rali dos preços dos combustíveis fósseis desde o início do conflito a 28 de fevereiro.

A perturbação prolongada no Estreito de Ormuz e a consequente tensão entre oferta e procura foram apontadas como fatores determinantes para o encarecimento do Brent, que negociava acima de 103 dólares (88 euros) por barril no momento da divulgação.

Apesar da melhoria do resultado e da valorização acionista — as ações subiram mais de 32% em 2026, tornando a BP a segunda que mais valorizou entre as grandes petrolíferas — a dívida líquida aumentou para 21,6 mil milhões de euros no final do trimestre, face a 18,9 mil milhões de no fecho do exercício anterior.

A empresa mantém a meta de reduzir a dívida para um intervalo de 11,9 a 15,3 mil milhões de euros até ao final de 2027.

No plano operacional, a BP antecipa uma produção upstream mais baixa no segundo trimestre, devido a manutenções sazonais e a interrupções na região do Médio Oriente.

A empresa reiterou a orientação de capex para 2026 entre 11,1 e 11,5 mil milhões de euros e projeta gerar entre 7,7 e 8,5 mil milhões de euros em receitas provenientes de desinvestimentos e outras fontes ao longo do ano.

A CEO Meg O’Neill destacou que os negócios continuam a operar bem e que o trimestre reflete a sólida execução operacional e financeira, aproximando a BP das metas traçadas para 2027.

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