

A Johnson & Johnson (J&J) anunciou um acordo estimado em 5,5 mil milhões de dólares (4,8 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) para resolver cerca de 76 mil processos que alegam que o seu pó de talco e outros produtos à base de talco causaram cancro do ovário.
O acordo, segundo a Reuters, prevê que a J&J pague três mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros) já no próximo ano, com pagamentos adicionais previstos em 2028. O valor final poderá ser superior, dependendo da adesão dos queixosos. Os advogados que negociaram o acordo estimam que a soma total pode chegar a sete mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros) ou até mesmo ultrapassar esse montante.
Erik Haas, que assume cargo importante na J&J quanto à resolução de litígios, diz que as alegações eram “descabidas” e que a via encontrada foi o acordo para “encerrar o assunto e permitir que a empresa se concentre na sua missão”.
O advogado Chris Seeger, que representa cerca de 2.500 clientes, salienta que se trata de "um acordo justo" e acrescenta que os lesados "vão ficar satisfeitos com ele".
Este entendimento cobre casos consolidados em tribunal federal em Nova Jérsia e processos em tribunais estaduais, representando quase todas as reivindicações de talco ainda pendentes contra a empresa. Para ficar definitivamente fechado, é necessária a concordância de 95% dos queixosos.
O acordo aplica‑se apenas a reclamações já existentes e exclui ações futuras, sendo que os pagamentos deverão ser feitos num horizonte de cerca de 18 meses.
De realçar que a empresa tinha deixado de vender pó de talco para bebé nos EUA em 2020, mudando para um produto à base de amido de milho.
Quanto aos litígios, esses foram retomados em março de 2025, após terem estado suspensos por mais de três anos enquanto a J&J tentou, sem sucesso, uma estratégia conhecida como 'Texas two-step' (passo duplo do Texas), uma manobra habitualmente utilizada pelas grandes empresas norte-americanas, que passa por transferir a responsabilidade civil da empresa para um processo de falência.
A Johnson & Johnson, durante esse período, declarou três falências através de uma empresa de fachada subsidiária numa tentativa de resolver os casos sem encargos avultados. Todas essas manobras acabaram, no entanto, por ser rejeitadas.