A Câmara de Castelo Branco manifestou interesse junto do Governo para instalar no concelho uma das seis novas áreas de localização empresarial previstas no âmbito do Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida disse, no final de maio, que o país só tem capacidade para acolher indústrias de grande dimensão em Sines e defendeu que é preciso criar alternativas por todo o território.
No âmbito do PTRR, o Governo anunciou a intenção de criar seis Grandes Áreas Empresariais (GAE) no país, duas na região Norte, duas no Centro e duas no Sul, sendo que em cada uma destas regiões uma GAE ficará situada no Interior.
Face à disponibilidade do Governo, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, fez uma manifestação de interesse para que uma destas GAE fique situada no concelho de Castelo Branco.
Para o efeito, já reuniu com o presidente do porto de Lisboa, Vítor Caldeirinha, a quem apresentou uma proposta para fazer em Castelo Branco um porto seco, em ligação com Lisboa, Setúbal e Sesimbra.
Isto porque Vítor Caldeirinha é simultaneamente o presidente do Conselho de Administração dos portos de Setúbal e de Sesimbra.
À agência Lusa, Leopoldo Rodrigues disse que a ideia foi recebida com entusiasmo por parte deste responsável e adiantou que também já apresentou ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, este projeto.
“Tivemos também a concordância por parte do ministro das Infraestruturas, que manifestou disponibilidade para estar presente na assinatura do protocolo entre a Câmara de Castelo Branco e o porto de Lisboa para a criação do porto seco”, vincou.
Leopoldo Rodrigues não tem dúvidas de que o concelho tem todas as condições para poder albergar uma GAE. E, como argumentos, avançou junto do Governo com terrenos cuja orografia é favorável (são planos) num local próximo da ferrovia e do Aeródromo Municipal, onde a Câmara Municipal tem já 250 hectares disponíveis.
“Podemos adquirir, numa estimativa mais ou menos grosseira, cerca de três mil hectares de terreno nessa zona”.
O autarca realçou ainda que o aeródromo disponibiliza uma pista de 1,5 quilómetros que pode ser aumentada para os 2,5 quilómetros, uma vez que o Plano Diretor Municipal (PDM) de Castelo Branco já o contempla.
“Temos depois a linha de caminho de ferro eletrificada e que faz a ligação à Guarda (Lisboa/Guarda) e temos muito próximo a A23 e, futuramente, a ligação a Espanha, através do IC31”, sublinhou.
O presidente da Câmara de Castelo Branco explicou que o trabalho feito está bastante avançado, até porque o município já previa a criação de uma nova Área de Localização Empresarial (ALE) na zona da Feiteira.
“Estão reunidas as condições ideais para o nascimento de uma grande área de localização empresarial, que eu não quero que seja de Castelo Branco, mas de toda esta zona do Interior. Isto porque também entendo que uma grande área empresarial não servirá apenas Castelo Branco, mas todos os concelhos da CIMBB [Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa] e os outros concelhos do distrito”, sustentou.
Leopoldo Rodrigues contactou também com vários presidentes de portos atlânticos, essencialmente de países de língua oficial portuguesa (PALOP), para estabelecer também protocolos com eles, no âmbito do porto seco e com a concordância do presidente do porto de Lisboa.
O objetivo passa por fazer com que a circulação das mercadorias nesses portos tenha em Castelo Branco (no seu porto seco) o alfandegamento e desalfandegamento dos produtos com destino à Europa.
“Devo dizer que esta ideia foi recebida com entusiasmo por parte desses portos. Já temos uma proposta do norte do Brasil para assinar um protocolo já em setembro. E, relativamente, aos portos africanos, as coisas estão bem encaminhadas”.
Segundo o autarca, Castelo Branco tem infraestruturas (aeródromo, ferrovia eletrificada, A23 e IC31), tem terrenos e está em vias de protocolar a criação de um porto seco que permitirá uma grande plataforma logística.
“Este é o grande projeto para as próximas décadas para Castelo Branco. O presidente da CCDRC [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro], Ribau Esteves, já visitou a zona onde pretendemos desenvolver a GAE e ficou muito agradado”, vincou.