CEO da EDP diz que investidores são bem-vindos e fala em mercado livre sobre fundo soberano

Miguel Stilwell d’Andrade sublinhou que “isto é um mercado livre”, no qual os investidores podem decidir “investir ou desinvestir”, consoante considerem existir “uma boa oportunidade ou não”.
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O presidente executivo da EDP preferiu não comentar diretamente uma eventual intervenção de um fundo soberano no setor da energia, uma vez que “ainda não há detalhes”, mas sublinhou que “é um mercado livre” e todos os investidores são bem-vindos.

“Acionistas são bem-vindos, investidores são bem-vindos”, afirmou esta quinta-feira Miguel Stilwell d’Andrade, num encontro com jornalistas a propósito dos 50 anos da EDP.

O gestor foi questionado sobre a proposta de criação de um Fundo Soberano de Portugal, anunciada no fim de semana pelo primeiro-ministro, em comparação com outros fundos soberanos alimentados por receitas do petróleo, e sobre a possibilidade de este vir a permitir a intervenção do Estado em setores estratégicos, incluindo a energia.

“Ainda não há detalhes sobre isso, portanto, aguardaremos para tentar perceber melhor o que é que está a ser apresentado aqui”, afirmou Miguel Stilwell d’Andrade.

O presidente executivo da EDP sublinhou que “isto é um mercado livre”, no qual os investidores podem decidir “investir ou desinvestir”, consoante considerem existir “uma boa oportunidade ou não”.

A EDP, que celebra este ano 50 anos, passou de empresa totalmente estatal para empresa privada e cotada, com uma base acionista maioritariamente internacional.

Sobre este ponto, o gestor referiu que têm “uma base acionista muito forte, não é só chineses”, referindo acionistas de geografias como Singapura, Abu Dhabi, Canadá, Reino Unido e Noruega.

A EDP tem como principal acionista a China Three Gorges, com 22,20% do capital, seguindo-se a BlackRock, com 8,35%, e a Oppidum Capital, com 6,82%, segundo a estrutura acionista disponível no ‘site’ da elétrica.

O presidente executivo defendeu que esta base acionista tem sido importante para financiar o crescimento da empresa e reforçar o balanço, recordando que a EDP levantou cerca de 4.500 milhões de euros de capital nos últimos anos.

“Acho que isso foi fundamental. Não só para aguentar o balanço, mas para poder crescer precisamente com um balanço sólido”, afirmou.

Questionado sobre os aumentos de capital realizados pela empresa e a criação de valor para os acionistas, Stilwell d’Andrade defendeu que essas operações foram positivas para a EDP.

“Claramente foi uma boa decisão da empresa”, afirmou, sustentando que, sem esse capital, a EDP teria hoje “um balanço muitíssimo mais complicado”.

O presidente executivo disse ainda que o capital obtido foi aplicado em áreas como redes, Brasil e renováveis, permitindo à empresa manter o ritmo de investimento.

“Sem esse capital não podíamos ser capazes de manter este tipo de crescimento”, afirmou.

Sobre a presença da China Three Gorges no capital da EDP e eventuais impactos na gestão, Stilwell d’Andrade rejeitou qualquer interferência na gestão executiva da elétrica.

“Na gestão executiva e diária [...] não tem qualquer tipo de interferência”, disse.

O presidente executivo sublinhou que a estrutura de governação da empresa tem permitido à EDP continuar a crescer em mercados como Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, mesmo num contexto internacional de maior escrutínio sobre investimentos chineses.

“Temos de ser capazes de navegar nesta turbulência toda”, afirmou, considerando que a EDP tem conseguido encontrar “os equilíbrios necessários” para manter a atividade e o crescimento internacional.

Miguel Stilwell d’Andrade descreveu ainda o percurso da EDP como “uma história de sucesso”, marcada por “ambição”, “coragem”, “resiliência” e “excelência”, desde a eletrificação do país até à internacionalização e à aposta nas renováveis.

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