Chinesa DeepSeek lança novo modelo de IA para rivalizar com concorrentes dos EUA

A empresa sediada em Hangzhou, no leste da Cihna, prepara-se para lançar o modelo V4, descrito como “multimodal”, com capacidade para gerar texto, imagem e vídeo
Chinesa DeepSeek lança novo modelo de IA para rivalizar com concorrentes dos EUA
EPA/SALVATORE DI NOLFI
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A empresa chinesa DeepSeek deve apresentar esta semana um novo modelo de linguagem de grande dimensão, num novo teste às ambições da China de competir com os rivais norte-americanos no setor da inteligência artificial (IA).

A empresa sediada em Hangzhou, no leste da Cihna, prepara-se para lançar o modelo V4, descrito como “multimodal”, com capacidade para gerar texto, imagem e vídeo, segundo o jornal britânico Financial Times, que cita fontes familiarizadas com o assunto.

Segundo as mesmas fontes, a DeepSeek trabalhou com fabricantes chineses de ‘chips’, como a Huawei e a Cambricon, para otimizar o novo modelo para os seus mais recentes produtos, numa estratégia que sinaliza os esforços de Pequim para reduzir a dependência dos semicondutores da norte-americana Nvidia, sujeitos a controlos de exportação impostos por Washington.

O lançamento está previsto para ocorrer antes das “Duas Sessões”, a reunião anual da Assembleia Nacional Popular (ANP), o órgão máximo legislativo chinês, que começa a 04 de março, evento político de grande visibilidade que poderá reforçar o estatuto da DeepSeek como campeã nacional da IA.

Trata-se do primeiro grande modelo apresentado pela empresa desde janeiro de 2025, quando divulgou o modelo de raciocínio R1. Na altura, a DeepSeek afirmou ter desenvolvido um sistema comparável aos principais modelos do Vale do Silício com apenas uma fração do poder computacional utilizado pelos concorrentes, anúncio que provocou forte reação nos mercados tecnológicos norte-americanos.

Desde então, a empresa lançou atualizações incrementais, enquanto rivais domésticos como a Alibaba e a Moonshot procuraram captar procura por modelos chineses de código aberto e baixo custo.

A otimização do V4 para ‘chips’ produzidos na China poderá impulsionar a procura por semicondutores locais e acelerar a substituição de fabricantes norte-americanos como a Nvidia e a AMD na fase de “inferência”, isto é, na geração de respostas por modelos já treinados.

A Nvidia continua, contudo, a dominar o mercado de ‘chips’ utilizados na fase de pré-treino, altamente intensiva em computação. O Financial Times noticiou anteriormente que a DeepSeek tentou realizar esta etapa inicial em ‘hardware’ da Huawei, mas enfrentou dificuldades técnicas.

A DeepSeek deverá divulgar uma nota técnica breve aquando do lançamento do V4, seguindo-se um relatório mais detalhado cerca de um mês depois, segundo uma fonte citada pelo jornal.

Entretanto, a empresa norte-americana Anthropic acusou esta semana a DeepSeek e outras duas empresas chinesas de recorrerem a “ataques de destilação”, prática que consiste em treinar modelos mais pequenos com base nos resultados de sistemas mais avançados, permitindo replicar desempenho sem utilizar os mesmos recursos computacionais.

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