Comissão Europeia quer menos burocracia para que bancos da UE cresçam além‑fronteiras

Bruxelas diz que "o setor está demasiado fragmentado, impedindo ganhos de escala, ganhos de eficiência, uma utilização produtiva dos recursos e a diversificação geográfica além‑fronteiras".
Sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.
Sede da Comissão Europeia, em Bruxelas. Claudio Centonze /UNIÃO EUROPEIA
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A Comissão Europeia publicou um relatório com o objetivo de reduzir obstáculos que limitam a competitividade dos bancos na União Europeia e facilitar a sua expansão além‑fronteiras, mantendo, contudo, a resiliência financeira conquistada desde 2008.

Bruxelas, no documento divulgado esta sexta-feira, identifica três entraves principais: fragmentação do mercado entre Estados‑membros, regras mais exigentes do que as de concorrentes internacionais e uma complexidade regulatória crescente.

No relatório, a Comissão afirma que "o setor está demasiado fragmentado, impedindo ganhos de escala, ganhos de eficiência, uma utilização produtiva dos recursos e a diversificação geográfica além‑fronteiras".

Esse cenário, de acordo com o executivo comunitário, dificulta que bancos europeus atinjam dimensão suficiente para competir com grandes grupos norte‑americanos e britânicos.

As intervenções nacionais nas operações de concentração são apontadas como um dos fatores que travam a formação de bancos pan‑europeus.

Para contrariar essas limitações, Bruxelas propõe medidas que incluem maior flexibilidade na gestão de capital e liquidez dentro de grupos bancários com presença em vários Estados‑membros.

"A Comissão irá propor medidas para permitir que os grupos bancários transfronteiriços aumentem a eficiência na alocação de capital e liquidez", lê‑se no relatório. A ideia é reduzir custos e fricções que hoje tornam arriscada ou dispendiosa a operação transnacional.

Ao mesmo tempo, a Comissão sublinha que a simplificação não deverá significar retrocesso nas reformas pós‑2008.

"Reduzir a complexidade excessiva não deve conduzir a uma desregulação que comprometa a resiliência do setor bancário", afirma o executivo.

O relatório refere que os reforços regulatórios e institucionais implementados após a crise financeira — incluindo a União Bancária e normas internacionais sobre capital e liquidez — tornaram o sistema europeu mais sólido, permitindo aos bancos suportar choques recentes como a pandemia, a crise energética e episódios de turbulência bancária em 2023.

As propostas servirão de base para iniciativas legislativas previstas para o primeiro trimestre de 2027.

Sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.
UE prepara simplificação das regras bancárias para criar bancos mais competitivos
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