

A UniCredit defendeu esta segunda‑feira, 20, que o Commerzbank precisa de alterações profundas, numa ronda de argumentos que servem também para justificar a ofensiva do seu CEO, Andrea Orcel, na tentativa de adquirir o rival alemão.
Numa apresentação divulgada ao mercado, o banco italiano aponta um historial de fraco desempenho operativo por parte do Commerzbank, com fragilidades estruturais que só se dissimulam num contexto financeiro favorável.
No documento elaborado, a UniCredit recomenda uma estratégia mais focada, que passa por concentrar as operações na Alemanha e Polónia e reduzir a presença internacional, que descreve como “sobredimensionada, fragmentada, mais arriscada, operativamente complexa e ineficiente”.
Esta orientação faz parte de um plano para reorientar o modelo de negócio e melhorar a eficiência operacional do banco alemão.
Quanto ao impacto financeiro das medidas propostas, a UniCredit estima que a implementação das suas recomendações permitiria ao Commerzbank elevar os seus proveitos líquidos para cerca de 5,1 mil milhões de euros em 2028, em comparação com os 4,5 mil milhões previstos caso mantenha a trajetória atual.
Numa leitura mais ambiciosa, a eventual aquisição do Commerzbank por parte da UniCredit resultaria — segundo as projeções da italiana — num grupo com receitas líquidas potenciais de 21 mil milhões em 2030.
A apresentação surge num momento em que Orcel, o administrador do banco italiano, tem intensificado contatos para viabilizar a operação, enquanto o mercado observa se as propostas de reestruturação e as sinergias anunciadas serão suficientes para convencer acionistas e reguladores.