Comunidades de energia da Greenvolt geram poupanças de quatro milhões. "O modelo funciona e cria valor real"
A Greenvolt Comunidades, empresa pertencente ao Grupo Greenvolt, focada no desenvolvimento e gestão de comunidades de energia renovável e soluções de autoconsumo coletivo, assinalou no final do mês passado quatro anos de atividade consolidando um percurso de crescimento que transformou um conceito experimental numa solução escalável de produção e partilha de energia solar.
Desde a sua criação que a empresa tem criado comunidades de energia por todo o país envolvendo clubes de futebol, escolas, empresas e instituições, e hoje afirma‑se como líder nacional do setor com 55 MWp em operação distribuídos por 143 comunidades e mais de 60 MWp em diferentes fases de desenvolvimento, num total que já ultrapassa os 115 MWp de capacidade desenvolvida.
Este crescimento assenta num modelo em que, na esmagadora maioria dos casos, a Greenvolt assume o investimento inicial e gere a infraestrutura através de contratos de médio e longo prazo, normalmente entre 10 e 15 anos.
Segundo José Queirós de Almeida, CEO da Greenvolt Comunidades e Revenue Officer da Greenvolt Next, em conversa com o Dinheiro Vivo, "cerca de 90% das comunidades que desenvolvemos assentam num modelo em que o investimento é realizado pela própria Greenvolt, através de contratos de médio e longo prazo. Isto cria uma base de receitas recorrentes, estáveis e previsíveis, mas sobretudo cria valor duradouro para os nossos clientes".
A estrutura de financiamento escolhida permite às empresas ancoradas começar a poupar desde o primeiro dia, com reduções imediatas na fatura que, em muitos casos onde a Greenvolt financia o projeto, atingem 60% a 70% e com preços protegidos da volatilidade dos mercados.
Quando a instalação é financiada pelo próprio cliente, os períodos médios de retorno do investimento situam‑se entre três e sete anos, dependendo da tipologia da cobertura e do perfil de consumo. Para os membros consumidores da comunidade, como famílias e pequenos pontos de consumo, a vantagem traduz‑se tipicamente em poupanças de 20% a 30% na fatura elétrica.
Em termos de impacto económico direto, as comunidades da Greenvolt já geraram mais de quatro milhões de euros em poupanças acumuladas para produtores e consumidores, um indicador que, nas palavras do CEO, "é a prova de que este modelo funciona e cria valor real". Para além das vantagens financeiras imediatas, o modelo aporta previsibilidade às contas das empresas e acrescenta valor patrimonial às infraestruturas que servem de âncora às comunidades.
A presença da Greenvolt estende‑se por sectores diversos e inclui parcerias com nomes como Corticeira Amorim, Hovione, Millennium bcp, M.A. Silva, OLI e projetos com clubes de futebol de referência como FC Porto, Braga e Famalicão.
Estas âncoras revelam o carácter transversal da solução e facilitam a replicação do modelo em contextos que vão desde escolas e instituições sociais até unidades industriais e superfícies comerciais. A escolha de uma âncora com cobertura adequada ou espaços exteriores para instalação solar é muitas vezes determinante para a eficiência e a rapidez de implementação do projeto.
A operacionalização legislativa desempenhou um papel importante na aceleração do movimento. A existência de um enquadramento normativo avançado, complementada pela disponibilização de mecanismos práticos como a plataforma da DGEG, removeu obstáculos burocráticos que, até há pouco tempo, travavam a escala deste tipo de iniciativas.
Ainda assim, a empresa aponta para a necessidade de maior celeridade em alguns processos administrativos e de licenciamento. "O maior desafio está na velocidade de adoção", sublinha José Queirós de Almeida, acrescentando que adiar decisões nesta área implica um custo real em termos de oportunidades de poupança.
A evolução tecnológica e a integração de novos componentes têm também vindo a alterar o perfil de valor das comunidades. A Greenvolt colocou em operação a primeira comunidade de energia em Portugal com armazenamento em baterias, solução que aumenta o autoconsumo e a independência face à rede. Paralelamente já existem comunidades que integram soluções de mobilidade elétrica, com pontos de carregamento alimentados pela energia solar produzida localmente.
Estas funcionalidades permitem alargar os benefícios económicos e operacionais, transformando as comunidades numa plataforma local de gestão energética que combina produção, partilha, armazenamento e mobilidade.
A racionalização dos custos de aquisição de clientes passa pela aposta em parcerias locais e pela utilização de redes de confiança já existentes. Trabalhar com autarquias, associações, clubes e instituições facilita o envolvimento das comunidades e reduz o esforço comercial, acelerando a adesão. "As comunidades de energia vivem de proximidade e confiança", afirma o CEO, explicando que quando uma empresa envolve os seus colaboradores e uma instituição partilha energia com a comunidade envolvente, o impacto multiplica‑se.
Quanto aos riscos que podem condicionar a escalabilidade do modelo, a Greenvolt Comunidades identifica sobretudo a inércia na tomada de decisões por parte de potenciais aderentes e eventuais atrasos administrativos.
A empresa considera que a regulação em Portugal é, no essencial, favorável e comparativamente avançada, e que o foco de melhoria deve recair na simplificação e agilização de procedimentos. Alterações tarifárias, limites de mercado ou restrições de capacidade de ligação à rede são riscos reais em contextos específicos, mas não constituem, na visão da Greenvolt, barreiras estruturais ao desenvolvimento do setor.
O objetivo estratégico para os próximos anos mantém‑se ambicioso sem perder o realismo. A Greenvolt Comunidades pretende consolidar a liderança no mercado português e prosseguir a expansão das comunidades, privilegiando não apenas o aumento em megawatts, mas também o crescimento em termos de impacto económico, social e ambiental.
"A nossa ambição é clara: continuar a liderar o mercado português de comunidades de energia. Mais do que crescer em megawatts, queremos crescer em impacto, em valor económico e em benefícios reais para os nossos clientes", afirma José Queirós de Almeida.
