Criação de empresas em Portugal cai 2,9% até outubro com construção a travar maior tombo

Segundo a Informa D&B, o abrandamento do dinamismo empresarial foi geral no território nacional, sendo amenizado sobretudo pelo forte crescimento no setor da construção (+13%).
Criação de empresas em Portugal cai 2,9% até outubro com construção a travar maior tombo
Bruno Simões Castanheira / Global Imagens
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A dinâmica de empreendedorismo em Portugal assinalou uma desaceleração nos primeiros dez meses do ano, com o surgimento de novas empresas a ficar aquém dos registos apurados no ciclo transato. Segundo a análise setorial divulgada esta sexta-feira pela Informa D&B, foram constituídas 45.210 entidades jurídicas até ao final de outubro, o que representa um decréscimo de 2,9% em comparação com o período homólogo.

A quebra acumulada no decorrer de 2026 traduz-se em menos 1.327 constituições do que as contabilizadas em 2025. Apesar de o mercado ter ensaiado registos positivos em determinados meses do ano, a tendência global permaneceu em terreno negativo, sendo contida apenas pela performance de dois segmentos específicos da atividade económica.

A construção e as tecnologias da informação e comunicação sobressaem como os únicos setores a registar um aumento líquido no aparecimento de novos operadores no mercado. O setor da construção liderou a expansão ao contabilizar 6.826 novas empresas desde janeiro, registando um forte crescimento de 13%. Da mesma forma, o ramo das tecnologias da informação fixou um aumento de 5,8% face ao período transato, somando 3.435 novas firmas.

Em sentido inverso, a agricultura e a exploração de recursos naturais registaram o tombo mais expressivo do período, ao assinalarem uma retração de 25% na criação de unidades de negócio. O arrefecimento estendeu-se com igual intensidade ao comércio a retalho, ao alojamento e restauração e aos transportes, tendo todos estes setores averbado quebras na ordem dos 11%.

A análise territorial da criação de empresas mostra uma estagnação generalizada do mapa nacional, salvaguardando-se reduzidas exceções. Apenas as regiões do Oeste e Vale do Tejo, com uma subida de 2,3%, e da Península de Setúbal, com uma variação marginal de 0,1%, conseguiram contrariar a trajetória descendente e superaram os indicadores de 2025.

No capítulo do fecho de portas, os registos da Informa D&B contabilizaram o encerramento de 10.371 empresas até ao término do mês de outubro. A maioria das cessações de atividade concentraram-se na prestação de serviços empresariais, responsável por 15% das dissoluções, seguindo-se o setor do retalho com 13%, os serviços gerais com 12% e o ramo da restauração e alojamento, que agregou 10% do total de encerramentos.

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