

A Beyond Vision, fabricante de referência no setor de sistemas aéreos não tripulados (drones), oficializou, esta quinta-feira, a captação de um encaixe financeiro superior a 28 milhões de euros.
A operação de financiamento foi coliderada pelas sociedades de capital de risco Índico Capital Partners e Lince Capital, registando ainda o reforço de capital por parte da ActiveCap, que já integrava a estrutura de investidores desde 2024.
O montante angariado, segundo a empresa, será canalizado para potenciar a capacidade de produção em escala industrial, acelerar a inovação tecnológica baseada em Inteligência Artificial (IA) e consolidar a internacionalização da marca nas áreas de defesa e segurança de infraestruturas estratégicas.
A Beyond Vision foi constituída em 2013 e conta atualmente com Dário Pedro no cargo de presidente executivo (CEO) e Luís Miguel Campos como presidente do conselho de administração (Chairman), tendo surgido focada na criação de soluções de software de vanguarda.
Ao identificar a forte expansão no mercado dos veículos autónomos, a tecnológica redirecionou o seu foco para o fabrico de drones inovadores, assentes em algoritmos de IA e em arquiteturas de gestão em nuvem (cloud). A qualidade dos equipamentos garantiu à empresa o estatuto oficial de fornecedora da NATO e a conquista de diversas distinções no setor.
Esta injeção de capital ocorre num período de forte expansão operacional para a tecnológica, que viu a sua equipa crescer até aos 150 colaboradores, superou as metas de faturação delineadas para 2025 e expandiu a sua base de clientes nas vertentes civil e militar a nível global.
Este encaixe financeiro visa capacitar a Beyond Vision para uma expansão internacional em grande escala, alinhando-se com o disparo na procura global por este tipo de tecnologia aplicada à segurança e à indústria.
Dário Pedro, CEO da Beyond Vision, detalhou que o montante captado nesta operação financeira terá três destinos principais. O primeiro foco passará pelo robustecimento da "infraestrutura operacional" e pelo incremento da "capacidade de produção industrial", visando responder com eficácia ao volume crescente de encomendas internacionais de veículos autónomos.
Em paralelo, a tecnológica vai intensificar o "investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D)", focando-se na incorporação de "algoritmos avançados de Inteligência Artificial" e na otimização de ferramentas no seu sistema de gestão em nuvem.
Finalmente, a injeção de capital irá alavancar a estratégia de internacionalização da marca, solidificando o seu posicionamento comercial nos mercados globais ligados ao "setor de defesa, segurança e monitorização de infraestruturas críticas".
Já Stephan de Moraes, presidente da Índico Capital Partners, assinala que a autonomia tecnológica assente em soluções avançadas, seguras e soberanas se converteu numa prioridade geopolítica essencial para as nações em áreas sensíveis como a defesa e a proteção de redes estratégicas.
O responsável sublinha que a Beyond Vision destacou-se no setor "ao associar equipamentos físicos de elevada exatidão a sistemas de Inteligência Artificial de última geração, mantendo uma estrutura de custos altamente atrativa".
O investidor conclui referindo que esta injeção de capital dotará a tecnológica da solidez financeira "para escalar a produção e competir mundialmente em importantes segmentos de veículos autónomos não tripulados".
Por fim, Tomás Lavin Peixe, diretor de Venture Capital da Lince Capital, sublinha que o investimento da sociedade nesta operação financeira demonstra a total confiança "no potencial de um setor em profunda transformação".
O responsável aponta que a atual conjuntura geopolítica e o aumento das dotações orçamentais da Europa para o setor da defesa "estão a criar novas oportunidades para empresas tecnológicas com capacidade de competir internacionalmente".
O investidor acrescenta ainda que a Beyond Vision, sustentada na sua competência técnica, percurso e posicionamento estratégico, reúne as condições necessárias para capitalizar esta tendência, contribuindo "para o desenvolvimento de um ecossistema nacional mais forte em tecnologias de elevado valor acrescentado".