

As soluções associadas à economia circular geraram uma faturação de 135 milhões de euros para a Sonae na primeira metade do ano. A performance financeira, segundo a empresa, espelha a estratégia de sustentabilidade do grupo, alicerçada na criação de projetos e modelos de negócio disruptivos focados na reutilização de recursos.
No balanço anual, a Sonae fechou o ano de 2025 com uma faturação de 259 milhões de euros em soluções e produtos circulares. O montante representa um disparo de 178% face aos 93 milhões contabilizados em 2023 e uma progressão de 36% perante os cerca de 190 milhões de euros obtidos em 2024, realça o grupo em comunicado.
A tendência manteve-se robusta na primeira metade de 2026, período em que este segmento de negócio rendeu os mencionados 135 milhões de euros, ultrapassando já metade de toda a receita gerada no ano anterior.
Esta dinâmica sustentável do universo Sonae está a ser impulsionada por diversas frentes operacionais. Entre os modelos com maior impacto ambiental, económico e social destacam-se as iniciativas de combate ao desperdício alimentar, os sistemas de recarga (refill), a valorização de matérias-primas e ingredientes, bem como os serviços de reparação, recondicionamento e nova vida dada a aparelhos eletrónicos, realça o documento.
No ecossistema do grupo, insígnias como a MC, Worten, iServices e a BCF Life Sciences (integrada na Sparkfood) assumem um papel preponderante na execução de projetos de economia circular. Estas práticas estendem-se desde os processos internos e a cadeia de abastecimento até ao contacto direto com o consumidor final, segundo o grupo.
A Sonae refere ainda que a estratégia foca-se igualmente na sensibilização para hábitos de compra mais conscientes. Na primeira metade do ano, as insígnias do grupo canalizaram mais de 1,4 milhões de euros para iniciativas que incentivam os clientes a optar por soluções ecológicas e sustentáveis.
A circularidade pode ajudar as empresas a "repensar a forma como utilizamos os recursos" e a criar valor, defende Martim Santos, diretor de Sustentabilidade da Sonae.
O responsável diz que a empresa procura integrar estes princípios nos seus vários negócios, através de soluções que "reduzam o desperdício" e "prolonguem a vida útil dos produtos e materiais". A reutilização e a valorização dos recursos são também apontadas como prioridades.
Para Martim Santos, a transição exige "inovação, colaboração ao longo da cadeia de valor e mudanças nos modelos de produção e consumo". Apesar dos desafios, acrescenta, a circularidade pode trazer "benefícios ambientais" e, ao mesmo tempo, "reforçar a eficiência e a competitividade" das empresas.