

A Câmara de Comércio da União Europeia na China considerou esta sexta-feira, 6, que o relatório sobre a ação governativa, apresentado na quinta-feira ao órgão legislativo chinês, contém sinais “positivos” para as empresas europeias.
Num comunicado divulgado após a apresentação do documento na Assembleia Popular Nacional (APN, Legislativo), a organização indicou que o relatório inclui “pontos de ação em matérias relevantes para as empresas europeias” que operam no país asiático.
A entidade sublinhou que o abrandamento económico da China, identificado pelos seus membros como o principal problema em 2025, está “ligado a questões estruturais”, como a concorrência considerada insustentável em alguns setores, e destacou que o relatório prevê recorrer a “toda uma gama de abordagens” para eliminar a chamada “involução”, termo usado para descrever uma concorrência excessiva e pouco produtiva.
O comunicado salienta ainda que o documento governamental inclui um apelo para “impulsionar as importações a fim de promover um comércio equilibrado”, algo que a Câmara interpreta como um sinal de que Pequim “teve em conta as preocupações de parceiros comerciais”, como a União Europeia, relativamente aos desequilíbrios comerciais.
A organização também saudou a continuidade do compromisso com o “tratamento nacional” para empresas com investimento estrangeiro, uma referência que, segundo o comunicado, surge nos relatórios de trabalho do Governo “há cinco anos consecutivos”.
O documento menciona ainda que “será aplicado um novo Catálogo de Indústrias Incentivadas para o Investimento Estrangeiro”, uma medida que a Câmara considera potencialmente “positiva”, embora tenha advertido que serão necessários mais detalhes sobre a sua aplicação antes de avaliar plenamente o seu alcance.
Entre os aspetos que suscitam cautela, a organização destacou que o relatório inclui um apelo para que as empresas com investimento estrangeiro ampliem a sua produção no país.
Neste sentido, assinalou que essas decisões “devem ser tomadas por razões comerciais”, e não devido a fatores como requisitos de localização ou a procura de igualdade de tratamento nos processos de contratação pública.
A Câmara comentou ainda o objetivo de crescimento definido por Pequim para este ano, entre 4,5% e 5%, inferior ao de anos anteriores. Na sua opinião, reflete que as autoridades reconhecem que a economia “poderá continuar a desacelerar”.
Ainda assim, considera que essa meta “não é tão significativa como alguns poderão pensar e pode até ser positiva, dado que o país é uma economia que amadurece rapidamente”.
O relatório governamental foi apresentado na quinta-feira pelo primeiro-ministro Li Qiang, durante a abertura da sessão anual da Assembleia Popular Nacional, no âmbito das chamadas “Duas Sessões”, o principal evento político anual da China.