

As empresas pertencentes a um grupo representavam 7,9% do total de sociedades no país em 2024, mas concentravam 40,6% do pessoal ao serviço e quase dois terços (59,3%) do valor acrescentado bruto (VAB), divulgou esta quinta-feira, 26, o INE.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2024, havia 42.561 empresas pertencentes a grupos em Portugal, que representavam 63,6% do volume de negócios e 67,6% do excedente bruto de exploração (EBE).
Em relação a 2023, o número de empresas em grupos cresceu 2,7%, o pessoal ao serviço subiu 4,1%, o volume de negócios aumentou 5,3%, o VAB progrediu 6,4% e o EBE 3,3%.
Os grupos multinacionais concentraram 45,3% das sociedades integradas em grupos, distribuídas entre 18,4% pertencentes a grupos multinacionais domésticos e 26,9% a grupos multinacionais estrangeiros.
No seu conjunto, estes grupos foram responsáveis por 74,9% do pessoal ao serviço, 83,3% do volume de negócios e 85,4% do VAB.
Por sua vez, os grupos domésticos reuniram 54,7% das sociedades integradas em grupos, mas concentraram apenas 25,1% do pessoal ao serviço, 16,6% do volume de negócios e 14,6% do VAB.
As empresas dos serviços financeiros eram as que tinham uma maior fatia pertencente a um grupo, de 27,4%, seguindo-se os setores da indústria e energia (11,9%) e da informação e comunicação (9,9%). Nestes setores, as sociedades integradas em grupos foram responsáveis por 80,3%, 66,1% e 78,4% do VAB gerado, respetivamente.
Em termos absolutos, foi a construção e atividades imobiliárias que agregou o maior número de sociedades integradas em grupos (9.964 sociedades), mais 3,8% face a 2023.
Entre 2023 e 2024, as sociedades em grupos multinacionais estrangeiros registaram crescimentos superiores aos das sociedades pertencentes a grupos multinacionais domésticos, nomeadamente no pessoal ao serviço (+5,4%), volume de negócios (+11,5%), VAB (+9,1%), gastos com o pessoal (+10,4%) e EBE (+6,8%).
Em 2024, as sociedades não pertencentes a qualquer grupo (92,1%) concentraram 59,4% do pessoal ao serviço e responderam por 36,4% do volume de negócios e 40,7% do VAB do total das sociedades.
Segundo o INE, as empresas integradas em grupos pagaram, em média, mais 8.400 euros de remuneração anual do que as restantes sociedades, apresentando também uma produtividade aparente do trabalho mais do que duas vezes superior (61.000 euros face a 29.000 euros, respetivamente).
No ano em análise, 18,5% das empresas (2.360) integradas em grupos eram de elevado crescimento – isto é, tinham mais de 10 pessoas remuneradas e com um crescimento médio anual superior a 10% ao longo de três anos –, apresentando as empresas de grupos multinacionais estrangeiros a maior proporção (21,6%).
Em 2024, metade das sociedades não financeiras pertencentes a um grupo apresentaram uma rendibilidade do capital próprio superior a 7,1%, um valor “significativamente abaixo” do observado nas sociedades não pertencentes a um grupo (11,4%).
“Entre as sociedades não financeiras pertencentes a um grupo, verificou-se ainda que um quarto das sociedades integradas em grupos multinacionais estrangeiros apresentaram uma rendibilidade superior a 30,7%, menos 12,3 pontos percentuais do que o valor correspondente nas sociedades não integradas em grupos”, nota o INE.
De registar ainda que as sociedades integradas em grupos apresentaram uma maior dependência de capitais alheios (passivo) na sua estrutura financeira, refletida num rácio de endividamento de 0,72, superior ao das sociedades não pertencentes a um grupo (0,63).
O rácio de empresas não financeiras com perfil exportador que pertenciam a grupos foi de 14,8%, uma “proporção significativamente superior à registada pelas sociedades não pertencentes a um grupo (5,7%)”, sendo mais elevada nas sociedades integradas em grupos multinacionais estrangeiros (25,1%) e mais reduzida nas integradas em grupos domésticos (7,7%).
Os dados mais recentes do INE, referentes a 2023, apontam que, nesse ano, exerciam atividade em Portugal 16.439 grupos de empresas domésticos e multinacionais, menos 2,6% do que no ano anterior, dos quais 60,8% tinham o centro de decisão no país.
Nesse ano, foram identificados 6.437 grupos multinacionais estrangeiros a operar no país, menos 9,1% que no ano anterior, tendo 56% as cabeças de grupo sediadas em cinco países, com destaque para Espanha e França (com pesos de 20% e 13,3%, respetivamente, contra 21,2% e 11,8% em 2022).