Empresas públicas não financeiras com lucros de 157 milhões em 2025, excluindo Saúde

O diretor-geral da Entidade do Tesouro e Finanças diz que "mais de 70%" dessas empresas, com a excepção das da Saúde e da CGD, registaram resultados positivos no ano passado.
Empresas públicas não financeiras com lucros de 157 milhões em 2025, excluindo Saúde
Gerardo Santos / Global Imagens
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As empresas públicas não financeiras, à exceção do setor da Saúde, registaram em 2025 resultados líquidos de 157 milhões de euros, disse esta quarta-feira no parlamento o diretor-geral da Entidade do Tesouro e Finanças (ETF), José Passos.

De acordo com o responsável, "mais de 70%" das empresas do Setor Empresarial do Estado (SEE), excluindo as do setor da Saúde e a CGD, registaram resultados positivos no ano passado, embora existam ainda alguns dados por apurar à data de hoje.

José Passos falava na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), numa audição requerida pelo PSD sobre os resultados das participadas do Estado e a situação económico-financeira do SEE após a divulgação, em abril, de um relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

De acordo com esse relatório, os resultados líquidos das 126 empresas analisadas caíram 469 milhões de euros num único ano, de 480 milhões de euros em 2024 para apenas 11 milhões em 2025, e o EBITDA — lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações — recuou 455 milhões de euros, cerca de 17,1%, diminuindo de 2.658 milhões em 2024 para 2.203 milhões em 2025.

O diretor-geral da ETF explicou aos deputados que os dados analisados pela UTAO referiam-se aos valores reportados pelas empresas apenas até fevereiro o que, no caso da Saúde, eram "francamente maus porque não refletiam a realidade".

Conforme explicou, muitas ULS reportaram em fevereiro os valores da despesa "mas não os valores da receita", valores esses que normalmente só são comunicados nos meses seguintes.

Assim, "o agravamento do EBITDA consolidado, considerando a Saúde, foi de 178 milhões de euros", e não de 455 milhões de euros como foi considerado no relatório da UTAO.

Sem o setor da Saúde, o EBITDA "melhora 46 milhões de euros", segundo afirmou.

José Passos referiu que o aumento e o envelhecimento da população "criam pressão sobre o SNS", razão pela qual "a despesa está a crescer muito mais do que a receita".

Adiantou que os Fornecimentos e Serviços Externos (FSE) cresceram 29% e as despesas de pessoal 10,5%.

O diretor-geral acrescentou ainda que, com base nos dados existentes à data de hoje, o EBITDA das empresas públicas em 2025, excluindo a Saúde e a CGD, atingiu 990 milhões de euros, e a dívida reduziu-se dos anteriores 13,76 mil milhões de euros para 13,24 mil milhões de euros.

Sem adiantar valores, acrescentou que "há redução do ‘stock’ da dívida também na Saúde”.

"O reporte da parte das empresas vale o que vale, só a partir de julho ou agosto há dados fidedignos", esclareceu, para de seguida afirmar que “os dados não são tão maus como os apresentados pelo relatório da UTAO” na Saúde.

Salientando que há resultados muito heterogéneos no SEE, José Passos considerou que existem "excelentes empresas públicas, com gestores muito profissionais”.

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