

A Anthropic, uma das principais referências globais no sector da inteligência artificial, viu as suas receitas disparar para os 16,8 mil milhões de dólares (cerca de 14,8 mil milhões de euros) no terceiro trimestre deste ano.
O resultado representa uma progressão de 45% face aos três meses anteriores, numa altura em que a tecnológica norte-americana acerta os últimos detalhes para a sua iminente dispersão de capital em bolsa.
De acordo com dados avançados pela Bloomberg e pelo Financial Times, os indicadores financeiros — que ainda não foram alvo de auditoria formal — foram partilhados pela administração da empresa durante uma sessão restrita com investidores institucionais, realizada na sede da companhia, em São Francisco.
Em termos de viabilidade financeira, a empresa assegura ter alcançado a rentabilidade pelo segundo trimestre consecutivo numa "base ajustada". Esta métrica específica, frequentemente utilizada no ecossistema tecnológico, desconsidera determinados encargos contabilísticos, como é o caso das remunerações liquidadas através da atribuição de ações aos colaboradores.
Os registos agora conhecidos contrastam fortemente com o desempenho observado no exercício transato. Documentos internos consultados pela imprensa internacional indicam que a Anthropic fechou o ano de 2025 com um prejuízo global fixado nos 42 mil milhões de dólares (37,5 mil milhões de euros). Contudo, uma fatia substancial desse montante — aproximadamente 34 mil milhões de dólares (30,3 mil milhões de euros) — decorreu exclusivamente de reavaliações e acertos contabilísticos que não se traduziram numa despesa de tesouraria real.
No que concerne à atividade estritamente operacional de 2025, as perdas situaram-se ligeiramente acima dos oito mil milhões de dólares (cerca de 7,1 mil milhões de euros), face a receitas que se tinham ficado pelos 4,6 mil milhões de dólares (4,1 mil milhões de euros aproximadamente).
Atualmente, a estrutura financeira da startup apresenta uma dinâmica de tesouraria positiva, gerando mais liquidez do que aquela que consome no quotidiano. Segundo fontes próximas do processo, por cada dólar investido na aquisição de capacidade computacional, a empresa consegue já arrecadar um retorno de 1,7 dólares em receita.
O real desempenho financeiro da Anthropic permanece resguardado pelo sigilo corporativo, uma vez que a empresa submeteu o seu prospeto de admissão à bolsa de forma confidencial em junho passado, impedindo a validação externa dos dados.
Apesar do forte crescimento das receitas, os analistas sublinham que a faturação atual continua a ser largamente superada pelos investimentos maciços exigidos pelo desenvolvimento da inteligência artificial de última geração, cuja procura global ultrapassa largamente a capacidade computacional disponível no mercado.
Para sustentar a sua expansão, a tecnológica norte-americana desenhou um plano a longo prazo que prevê despesas superiores a 500 mil milhões de dólares (cerca de 446,6 mil milhões de euros) em infraestruturas tecnológicas ao longo da próxima década. De acordo com o Financial Times, a Anthropic canaliza a maior parte deste investimento para o aluguer de capacidade computacional a gigantes como a Amazon, a Google e a SpaceX.
Segundo fontes contactadas pela Bloomberg, o calendário para a Oferta Pública Inicial (OPI) — que já sofreu múltiplos adiamentos no passado — aponta agora para o arranque da comercialização de títulos na semana de 9 de novembro, com o objetivo de concluir a dispersão de capital antes do feriado do Dia de Ação de Graças, a 26 de novembro. Embora a agência financeira tivesse antecipado a publicação do dossiê oficial para o final de agosto, a liderança da Anthropic mantém-se em silêncio e nunca oficializou qualquer data.
O interesse do mercado fixou a avaliação da empresa num intervalo que oscila entre os 1,8 e os dois biliões de dólares (entre 1,6 e 1,8 biliões de euros). Este valor representa o dobro dos 965 mil milhões de dólares atribuídos à companhia em maio passado, colocando a Anthropic na rota para superar o recorde histórico de financiamento da SpaceX, que arrecadou 85,7 mil milhões de dólares (76,4 mil milhões de euros) numa única operação em junho.