

O filho do fundador das lojas Mango, suspeito do homicídio do pai, deixou os cargos que tinha na direção da empresa, anunciou hoje o próprio Jonathan Andic numa "carta aberta" enviada aos meios de comunicação social espanhóis.
Jonathan Andic, filho de Isak Andic, era atualmente vice-presidente da rede de lojas de roupa Mango, presente em Portugal.
Segundo a "carta aberta" que divulgou esta terça-feira, 26, abandonou os órgãos de direção da empresa temporariamente, para se centrar na sua defesa.
Jonathan Andic reiterou, no mesmo texto, que é inocente e disse que a acusação de homicídio do pai é "injusta e infundada".
"Vivemos juntos muitos momentos felizes, inesquecíveis e repletos de carinho. Tal como acontece em tantas famílias, também passámos por momentos difíceis e complexos", escreveu, sublinhando que, porém, essas situações foram superadas "com grande esforço, generosidade e ajuda".
Jonathan Andic revelou que deixa a direção da Mango, mas mantém "o vínculo com outros projetos familiares, empresariais e sociais".
"Tomo esta decisão com tristeza, mas convencido de que é o melhor para a empresa e para mim", acrescentou.
O presidente executivo (CEO) da Mango, Toni Ruiz, enviou hoje um comunicado aos trabalhadores da empresa em que manifesta "máximo respeito, compreensão e apoio" a Jonathan Andic e que disse subscreverem "de forma unânime" todos os membros do Conselho de Administração.
"Manifestam a sua plena convicção de que o processo judicial terá um desfecho favorável e confiam em que tal aconteça o mais rapidamente possível", lê-se na mesma nota enviada por Toni Ruiz.
O texto sublinha que a Mango está "no melhor momento" da sua história e conta com "total apoio e visão de longo prazo" por parte dos acionistas, além de seguir "um modelo de governação corporativa alinhado com os mais elevados padrões".
O filho do fundador da Mango foi detido em 19 de maio por ser suspeito da morte do pai e, depois de ser ouvido por uma juíza em Barcelona, no nordeste de Espanha, pagou no mesmo dia uma fiança de um milhão de euros para evitar a prisão preventiva, ficando obrigado a apresentar-se semanalmente às autoridades.
A juíza retirou ainda o passaporte a Jonathan Andic, que proibiu de sair do país.
A polícia da Catalunha está a investigar a morte do fundador das lojas Mango, em dezembro de 2024, como possível homicídio e identificou em outubro do ano passado o filho do empresário como suspeito, confirmou, na altura, a família Andic.
Num novo comunicado, divulgado na semana passada, a família defendeu a inocência de Jonathan Andic e disse estar convencida de que "nem existem nem se encontrarão provas legítimas" contra o filho do criador da Mango.
Isak Andic, então com 71 anos, morreu na montanha de Montserrat, perto de Barcelona, quando fazia uma caminhada com o filho.
Na versão de Jonathan Andic, agora com 45 anos, o pai escorregou no trilho e caiu por uma encosta, de uma altura de mais de 100 metros.
Quando morreu, Isak Andic tinha uma fortuna avaliada pela revista Forbes em 4.500 milhões de euros, que foi equitativamente dividida pelos três filhos do empresário (Jonathan, Judith e Sarah).
Após a morte de Isak Andic, o presidente da Mango passou a ser Toni Ruiz, que já era então CEO da Mango, acumulando agora os dois cargos.
Toni Ruiz não é membro da família Andic, a qual continua a ter 95% da propriedade do grupo.
Jonathan Andic chegou a ser presidente executivo da empresa entre 2014 e 2018, mas o pai retirou-lhe o cargo e substituiu-o por Toni Ruiz, após prejuízos milionários da Mango naquele período.
Os primórdios da Mango remontam a 1984, quando Isak Andic, com a ajuda do irmão mais velho, Nahman, abriu a primeira loja em Barcelona.
A Mango tornou-se um dos principais grupos internacionais de moda, com cerca de 3.000 lojas em todo o mundo e mais de 18.000 empregados em mais de 120 países, de acordo com o sítio na Internet.
Em 2025, a Mango teve receitas de 3.800 milhões de euros e lucros de 242 milhões.