Fintechs geraram mais de 430 mil milhões em 2025

Essa é uma das conclusões do estudo intitulado Global Fintech Report 2026: From Recovery to Resurgence, desenvolvido pela Boston Consulting Group, em parceria com a FT Partners.
Fintechs geraram mais de 430 mil milhões em 2025
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O sector global das fintech conhece uma fase de consolidação e crescimento sustentado que se traduziu em receitas globais de 504 mil milhões de dólares em 2025 (433,4 mil milhões à taxa de câmbio atual).

Essa é uma das conclusões do estudo intitulado Global Fintech Report 2026: From Recovery to Resurgence, desenvolvido pela Boston Consulting Group, em parceria com a FT Partners.

Os autores deste relatório sublinham que as fintechs já representam cerca de 4% das receitas globais dos serviços financeiros, o que demonstra a transição do segmento para um setor com escala própria e ainda potencial de crescimento.

Entre os indicadores de maturidade identificados pelos responsáveis pelo estudo está o facto de 74% das maiores fintechs cotadas serem agora lucrativas, enquanto a margem operacional média (EBITDA) aumentou de 16% para 20%.

O financiamento em capital próprio também recuperou, com um aumento de 53 pontos percentuais para 58 mil milhões de dólares (49,9 mil milhões), valor que revela o regresso do investimento a empresas com modelos mais sólidos, disciplina operacional e perspetivas sustentadas de crescimento.

Segundo o relatório, esta maior confiança dos investidores alimentou igualmente a travessia para os mercados de saída, uma vez que o número de ofertas públicas iniciais subiu 50% para 42 operações e o volume de fusões e aquisições acelerou de 105 mil milhões de dólares em 2023 (90,3 mil milhões de euros) para 251 mil milhões de dólares (215,9 mil milhões de euros) no ano passado.

A Inteligência Artificial surge, de acordo com o estudo, como motor de transformação operacional e competitiva, com fintechs que a incorporam de forma estruturada a alcançar ganhos de produtividade até cinco vezes superiores em áreas como engenharia, avaliação de risco, compliance e apoio ao cliente.

Os autores do relatório destacam que o verdadeiro diferencial não resulta apenas da adoção de ferramentas, mas da capacidade de redesenhar fluxos de trabalho e modelos operacionais para gerar eficiência, escala e desempenho mensuráveis.

O estudo identifica também um estreitamento da diferença regulatória entre bancos e fintechs em mercados como os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia (UE), com processos de licenciamento e o acesso ao estatuto bancário a tornarem-se mais acessíveis, ainda que condicionados por requisitos mais exigentes de governação e supervisão.

O documento refere que os pedidos de licenças bancárias federais e de novas instituições de depósito aumentaram significativamente entre 2024 e 2025, sinalizando uma aproximação crescente das fintechs ao perímetro regulatório tradicional.

Os neobancos emergem como uma das dinâmicas estruturantes desta nova fase, ao alargarem a proposta de valor para crédito, investimento, seguros, transferências internacionais e soluções de poupança voltadas para clientes de maior capacidade financeira, transformando modelos centrados num único produto em plataformas financeiras mais completas e capazes de aprofundar a relação com o cliente, realça o estudo.

O crédito ao consumo aparece destacado como área de expansão relevante, com ênfase no crédito sem garantia e em modelos alternativos de avaliação de risco.

Os autores do relatório concluem que o setor fintech vive um momento estruturalmente distinto em que o crescimento regressou, mas num contexto mais exigente, no qual a vantagem competitiva dependerá da combinação entre escala rentável, prontidão regulatória, disciplina financeira e adoção eficaz de tecnologias emergentes como a IA.

Em Portugal, inserido no quadro europeu, o relatório aponta para uma evolução marcada por estratégias de parceria e complementaridade com os incumbentes, num contexto de digitalização acelerada dos serviços financeiros.

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