

A consultora Bain & Company antevê que nos próximos anos o setor bancário estará novamente atento a possíveis fusões, com o objetivo conjunto de ganhar escala e diversificar negócio, acompanhando a tendência global.
Em comunicado divulgado esta segunda-feira, 9, a Bain & Company dá conta do relatório lançado recentemente sobre consolidação bancária a nível mundial e para Portugal considera que num setor "marcado por elevada concentração e pressão estrutural sobre margens" deverá levar os principais decisores a avaliarem a possibilidade de fazer fusões.
"A necessidade de reforçar eficiência, acelerar a transformação digital e responder à concorrência de 'fintechs' e novos operadores europeus coloca o tema da consolidação novamente no radar do setor", afirma a consultora.
A Bain & Company estima que, em 2025, essas operações no setor bancário tenham acelerado a nível gobal para um valor de 183 milhões de euros.
O objetivo das empresas, acrescentou, tem sido ganhar escala, reforçar capacidades tecnológicas e diversificar negócio.
Segundo a consultora, até ao início da década de 2020, estas operações tinham apenas um objetivo (ou escala ou diversificação) mas agora o objetivo é integrado, pois escala e diversificação "quando combinadas geram ganhos de eficiência e inovação, permitindo melhorar rácios de eficiência, acelerar a modernização digital e criar novas alavancas de crescimento".
"As aquisições realizadas em 2025 que combinaram componentes significativos de escala e diversificação registaram, em média, cerca de 30% melhores ganhos de valorização do que aquelas com foco apenas em uma das duas dimensões, evidenciando que estratégias integradas criam mais valor para os acionistas", estima a consultora que também trabalha na assessoria de operações deste tipo.
A Bain & Company recorda, em Espanha, por exemplo, a fusão entre o CaixaBank e o Bankia ou a aquisição da LeasePlan pela ALD (agora Ayvens).
Portugal tem um mercado bancário considerado concentrado, em que cinco bancos representam mais de 80% do sistema bancário.
Os cinco principais bancos a operar em Portugal tiveram lucros agregados superiores a cinco mil milhões de euros em 2025, ano em que Caixa Geral de Depósitos, BCP e Novo Banco (comprado pelo grupo francês BPCE) registaram os maiores resultados das suas histórias.