Galp diz que fixar margens máximas nos combustíveis “não parece fazer sentido”

Co-presidente executivo da Galp, João Diogo Marques da Silva, diz, ainda assim, que a empresa reconhece “as vantagens e desvantagens de uma economia a operar em mercado livre”.
Galp diz que fixar margens máximas nos combustíveis “não parece fazer sentido”
Foto: Arquivo DN
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A Galp considerou hoje que não faz sentido avançar com uma fixação excecional de margens máximas nos combustíveis e garantiu estar disponível para fornecer à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) toda a informação necessária sobre a formação dos preços.

“Estamos disponíveis permanentemente, sempre, para entregar a informação que seja necessária, e a ERSE tem acesso pleno a essa informação”, afirmou o co-presidente executivo da Galp João Diogo Marques da Silva, numa conversa telefónica com a Lusa no âmbito da apresentação dos resultados do primeiro semestre.

Questionado sobre a possibilidade de o regulador propor a fixação excecional de margens máximas em alguma das componentes comerciais que formam o preço de venda ao público, o responsável disse que a empresa reconhece “as vantagens e desvantagens de uma economia a operar em mercado livre”.

Contudo, “não nos parece que faça sentido” uma intervenção desta natureza tendo em conta a experiência de outros mercados internacionais onde existem preços regulados, acrescentou.

A ministra do Ambiente e Energia pediu à ERSE um estudo detalhado sobre os preços praticados nos postos de abastecimento e sobre a forma como estes refletem as variações das cotações internacionais do petróleo e dos produtos refinados.

Na carta enviada ao regulador, Maria da Graça Carvalho apontou a perceção dos consumidores de que as empresas repercutem mais rapidamente as subidas das cotações internacionais do que as descidas.

A ministra pediu ainda à ERSE que, caso conclua estarem reunidos os pressupostos económicos previstos na lei, pondere apresentar uma proposta de fixação excecional de margens máximas em alguma das componentes comerciais do preço dos combustíveis.

João Diogo Marques da Silva escusou-se a comentar diretamente as declarações da ministra, mas afirmou compreender a preocupação suscitada pelos preços dos combustíveis.

“É um tema que afeta os portugueses, entendemos essa preocupação”, afirmou, defendendo que a Galp tem mantido uma política “constante de transparência nas metodologias utilizadas” para definir os preços.

O responsável acrescentou ainda que o mercado antecipa frequentemente os movimentos dos preços dos combustíveis antes de as empresas procederem às respetivas alterações.

A Galp anunciou hoje um aumento de 44% do lucro, para 812 milhões de euros, no primeiro semestre, face ao período homólogo, impulsionado pelo aumento da produção de petróleo no Brasil e pela subida da cotação média do Brent.

No primeiro semestre, a petrolífera beneficiou de margens de refinação que classificou como historicamente elevadas, situadas em 15,8 dólares por barril.

Questionado sobre o explica estas subidas, João Diogo Marques da Silva defendeu que resultam da diferença entre o custo das matérias-primas utilizadas pelas refinarias e o valor dos produtos finais, como o gasóleo, a gasolina e o combustível para aviação.

O responsável apontou os ataques a refinarias na Ucrânia, os constrangimentos no transporte de produtos petrolíferos e a instabilidade internacional como fatores que têm provocado aumentos e fortes oscilações no valor dos produtos refinados.

Segundo o co-CEO, depois de níveis significativamente mais baixos no final de junho, as margens de refinação no mercado ‘spot’ - de compra e venda para entrega imediata, aos preços praticados no momento - situam-se atualmente acima dos 30 dólares por barril processado, num contexto de renovada tensão entre os Estados Unidos e o Irão.

João Diogo Marques da Silva destacou ainda a importância de a refinaria de Sines conseguir manter elevados níveis de operação em períodos de volatilidade, tanto para aproveitar as condições de mercado como para assegurar o abastecimento do país.

A refinaria terá uma manutenção de curta duração em setembro, que, segundo a Galp, “não deverá afetar os níveis de produção” atualmente alcançados.

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