

A greve dos tripulantes de cabine da easyJet arranca hoje e prolonga-se até terça-feira, com 80% dos voos já cancelados, segundo o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).
De acordo com a dirigente sindical Ana Dias, estão já cancelados 443 voos das bases de Lisboa, Porto e Faro previstos para os cinco dias de paralisação.
O sindicato admite que outros voos ainda programados possam ser afetados pela greve, embora alguns possam ser assegurados por aeronaves e tripulações de outras bases europeias.
A dirigente sindical denunciou que na quinta-feira “chegaram tripulações de França ao Porto, e provavelmente irão operar voos em substituição de grevistas, mais uma vez de uma forma ilegal”.
Por sua vez, fonte oficial da easyJet disse à Lusa que prevê operar cerca de 55% da sua programação durante o período de greve, explicando que, além dos serviços mínimos, que correspondem a cerca de 22% da atividade baseada em Portugal, mantém voos de e para o país operados por outras bases europeias.
A companhia garante que essa operação é feita “em total conformidade com a legislação e regulamentos aplicáveis”, enquanto o SNPVAC considera “ilegal” a utilização de trabalhadores de outras bases para substituir grevistas e admite avançar para tribunal.
Na origem da greve estão, entre outras reivindicações, a estabilidade das escalas, a progressão remuneratória em função da antiguidade e as condições propostas no âmbito da negociação do Acordo de Empresa.
Está ainda marcada uma segunda greve dos tripulantes da easyJet para os dias 19 a 23 de dezembro.
Em declarações à agência Lusa, cerca das 7h15, o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias, adiantou que começaram a sair os primeiros voos que vão ser realizados como serviços mínimos que estavam planeados e um do Porto em que a empresa vai substituir grevistas, pelo que o sindicato vai utilizar os meios legais “para punir a empresa”.
“Neste momento estão previstos sair os serviços mínimos e um voo que vai sair do Porto em que a empresa vai utilizar a ilegalidade para poder realizar o voo utilizando as chefias locais (…). A empresa optou mais uma vez por contornar a greve com ilegalidade e, por isso, vamos utilizar os meios legais para punir a empresa de mais um ato ilegal em períodos de greve”, disse.
Ricardo Penarroias adiantou que o Sindicato vai avançar com uma queixa na Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) e nos tribunais.
“Já temos algumas ações em tribunal exatamente contra a substituição de grevistas noutras greves. É uma pratica recorrente por parte da empresa que prefere pagar multas do que cancelar o voo”, afirmou.