HORA Creative World desprende-se de grupo internacional para crescer em Portugal e lá fora

A agência deixa de depender de aprovações do grupo internacional McCann, do qual fazia parte. Com meia centena de profissionais, quer escalar o negócio no mercado nacional e em mercados estrangeiros.
Luís Pereira Santos é CEO na HORA Creative World
Luís Pereira Santos é CEO na HORA Creative World
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A HORA Creative World afastou-se de um grupo internacional e propõe-se a trabalhar a estratégia das marcas em várias vertentes, de forma a ajudar organizações nacionais e internacionais a escalarem os negócios, em Portugal e no estrangeiro. O objetivo é facilitar processos, mantendo a linha que guia a agência.

Fundada em 1927 (há quase 100 anos), a agência estava integrada na McCann Portugal e foi distinguida pela Media Monitor como a 5.ª maior agência. A partir de agora, define o próprio caminho. Mantém a equipa de 52 profissionais, a estrutura e a liderança, assim como as ligações com os clientes.

"A principal vantagem é a total liberdade de decisão e de operação", diz Luís Pereira Santos, CEO da HORA Creative World, ao Dinheiro Vivo. "Enquanto parte de uma rede internacional, a nossa atividade estava enquadrada por políticas, processos e orientações globais que condicionavam algumas decisões comerciais e operacionais", explica o responsável. Hoje temos total autonomia para definir a estratégia, escolher os mercados e setores onde queremos atuar, estabelecer parcerias e decidir onde e como investir", sem depender de autorizações da McCann.

Sem alterar a dinâmica comercial, as decisões passam a ser mais diretas, no que diz respeito a "identificar oportunidades e desenvolver o negócio", em Portugal e noutros mercados. É que a empresa está sediada em Portugal, mas a operação acontece além-fronteiras.

A HORA Creative World trabalhou sempre com clientes estabelecidos em Portugal, mas o portfólio inclui projetos desenvolvidos para mercados como Espanha, Brasil, EUA e Vietname, nos últimos anos. Dito isto, a internacionalização é "uma das principais oportunidades de crescimento que identificamos nesta nova fase", aponta.

Mas o que faz a agência?

A Hora divide-se em quatro áreas de atuação. São os casos de Branding & Design, Advertising & Digital, Social & Content e Experiences & Events. Para tal, propõe-se a construir estratégias de comunicação à medida de cada cliente.

Perspetivas de crescimento em números

Os resultados financeiros de 2025 trouxeram um crescimento de 9% ao nível da receita, para os 9 milhões de euros. Quer "continuar a crescer de forma sustentada", dando prioridade a dois fatores. São eles a "solidez do portfolio de clientes e a flexibilidade de gerir a estrutura de custos em função das variações" que são regra no setor.

Questionado sobre a possibilidade de fazer crescer a equipa tendo em consideração estas ambições, o responsável salienta que poderão implicar "o reforço da equipa, seja através da contratação de novos talentos, seja pelo desenvolvimento de competências em áreas que consideremos estratégicas para o futuro, como inteligência artificial (IA) e o nosso content studio", salientou.

Ao nível da IA, o CEO da HORA Creative World lembra que permite ganhos de "velocidade, eficiência e capacidade de execução, potenciando também a criatividade e o pensamento estratégico" e quer aproveitar este cenário. Por outro lado, faz aumentar a "pressão competitiva [no setor] e obriga as agências a repensarem o valor que oferecem aos clientes", assinala Luís Pereira Santos.

Em todo o caso, "num mundo em que será cada vez mais fácil produzir conteúdos, o verdadeiro fator de diferenciação estará na capacidade de criar ideias relevantes", acrescenta ainda.

Estrutura acionista inalterada

"A estrutura acionista mantém-se inalterada", faz saber o CEO. Assim sendo, a totalidade do capital continua nas mãos do próprio e de Ângelo Costa, CFO da agência.

Em causa esteve "um processo de diálogo e negociação" com a McCann e os termos do acordo final não serão revelados em público.

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