

O hotel The 13 Palace em Macau, em tempos descrito como um dos mais caros e luxuosos alguma vez construídos no mundo, reabriu após anos de encerramentos e mudanças de proprietários.
O empreendimento de cinco estrelas combina arquitetura moderna com estética barroca europeia e oferece 199 suítes, todas com elevadores privados e serviço de quarto personalizado e disponível a qualquer hora.
Segundo a plataforma online do hotel, as reservas estão disponíveis a partir desta segunda-feira, 29 de junho, com preços entre 3.900 patacas (450 euros) e 6.500 patacas (750 euros) por noite.
Concebido em 2013 pelo empresário de Hong Kong Stephen Hung como “The 13 Hotel”, o projeto foi alvo de um investimento de 1,4 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros), com um custo médio de sete milhões de dólares (6,5 milhões de euros) por quarto, tendo sido em tempos designado como "o hotel mais caro do mundo".
O design do hotel foi elaborado em colaboração por arquitetos e designers do Japão, Hong Kong e Estados Unidos, incluindo o arquiteto de renome norte-americano Peter Marino.
A propriedade tinha como alvo o setor de jogo VIP, que representava na altura a maior percentagem das receitas dos casinos locais, prevendo incluir até 66 mesas de jogo VIP.
No entanto, o hotel nunca chegou a conseguir obter uma licença de casino em Macau, com a abertura adiada sucessivamente e com a eventual saída de Hung do projeto em 2018.
O hotel abriu parcialmente em 2018 sem casino e suspendeu operações em 2020, com a companhia proprietária, The 13 Holdings, a mudar de nome para South Shore Holdings, e a enfrentar graves problemas financeiros até um tribunal declarar falência em 2023.
Em junho do ano passado, o hotel foi vendido por 600 milhões de dólares de Hong Kong (69 milhões de euros) à Chang Fu Investment Ltd, uma empresa ligada à família do empresário da hotelaria de Macau, Loi Keong Kuong, que procedeu a várias renovações.
Entre as novidades, destaca‑se a fachada dourada a substituir o anterior vermelho, novos restaurantes, e uma piscina com uma parede verde vertical já reconhecida pelo Guinness como a maior do mundo, que se estende do 5.º ao 20.º andar, com uma área total de 2.964 metros quadrados.
Um dos símbolos mais extravagantes da história do hotel foi a encomenda de uma frota de 30 Rolls‑Royce Phantom, avaliada em 20 milhões de dólares (18,1 milhões de euros), a maior encomenda da história da marca.
A frota acabou vendida em 2019 para pagar dívidas, e hoje o hotel opera com 13 veículos elétricos da marca chinesa JAC Motors para transporte VIP.
O novo diretor executivo do hotel, Lui Ka Hei apontou, em declarações aos meios de comunicação locais, incluindo o jornal em língua chinesa Ou Mun, esperar que, com esta "imagem totalmente renovada, seja possível reverter os estereótipos do passado e oferecer uma opção única no mercado do turismo de lazer de luxo de Macau”.
Nos últimos anos, o setor de jogo VIP em Macau sofreu uma transformação profunda. O modelo dos 'junkets', que durante décadas dominou o mercado ao trazer clientes VIP e conceder crédito, foi desmantelado entre 2021 e 2023.
Uma nova lei do jogo de 2023 impôs regras mais rígidas, obrigando os promotores a trabalhar apenas com uma dos seis concessionárias licenciadas e sob maior supervisão.
Como consequência, a percentagem do jogo VIP no resultados brutos de jogo totais caiu de quase metade em 2019 para pouco mais de um quarto em 2025, embora continue a representar milhares de milhões de patacas em receitas.
O crescimento atual é impulsionado sobretudo pelo segmento de massas, que se tornou dominante, com as autoridades locais a promover um foco maior em atrações e opções de entretenimento não relacionadas com o jogo.