

Os hoteleiros não registam neste momento “quebras declaradas nas reservas”, apesar dos problemas com as filas demoradas nos aeroportos, mas alertam para “sinais de maior volatilidade”, disse à Lusa a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).
Segundo Cristina Siza Vieira a “chegada ao país é o primeiro contacto de muitos turistas com Portugal e, quando esse contacto é marcado por filas de duas ou três horas no controlo de fronteira, a experiência começa mal”.
De acordo com a dirigente associativa, situações desta natureza “têm impacto reputacional, sobretudo quando são partilhadas e amplificadas em tempo real nas redes sociais”.
Segundo a vice-presidente executiva, neste momento os hoteleiros não registam “quebras declaradas nas reservas”, apontando que “a procura continua forte e grande parte do verão já está programado”.
“Mas há sinais de maior volatilidade, sobretudo nas reservas individuais, decisões mais tardias e maior incerteza nos mercados”, destacou, salientando que “o risco não se limita a este verão”.
“Portugal tem feito um caminho importante para reduzir a sazonalidade e qualquer dano reputacional pode afetar o destino ao longo de todo o ano”, salientou.
Acerca das declarações da União Europeia, que rejeita que o problema esteja relacionado com o novo Sistema de Entrada/Saída (EES), Cristina Siza Vieira acredita que “mais do que discutir culpas, importa reconhecer que há uma conjugação de fatores”.
“A Comissão Europeia afirma que os atrasos não resultam de uma falha do sistema em si, mas o EES introduziu novos procedimentos nos pontos de fronteira, com maior exigência tecnológica, operacional e humana”, salientou, defendendo que um sistema desta dimensão “só deve avançar quando há condições para o aplicar sem comprometer a operação”.
Para a vice-presidente executiva da AHP, em Portugal, “o problema é particularmente evidente”, com “filas de duas horas ou duas horas e meia à chegada a Lisboa, em maio, antes do pico da época alta” que, diz, “não são aceitáveis”.
“O aeroporto de Lisboa já estava sob forte pressão antes destes novos procedimentos. Falamos de capacidade operacional, recursos humanos para controlo de fronteiras, formação, equipamentos, 'e-gates', quiosques de autosserviço e fiabilidade dos sistemas tecnológicos”, indicou.
Apontando que “Lisboa é o caso mais crítico, mas não é uma questão apenas local”, Cristina Siza Vieira disse que “as medidas pontuais podem ajudar em momentos de crise, mas não resolvem o problema”, defendendo “uma suspensão mais alargada da recolha de dados biométricos, durante um período suficiente para resolver os constrangimentos tecnológicos, logísticos e humanos”.
Segundo a dirigente associativa, “a ANA tem colaborado com a PSP para mitigar os constrangimentos”, mas, assegurou, “este é um problema sistémico, que vai além da gestão aeroportuária”.
“É positivo que o ministro da Administração Interna tenha anunciado reforços a partir de 29 de maio, bem como o reforço de 360 polícias em julho”, disse, mas apontou preocupação com este calendário.
“Julho é tarde. O verão começa agora. O setor não pode ficar à espera de soluções que cheguem depois de os danos já estarem feitos”, alertou.
Cristina Siza Vieira acredita que existe uma preocupação clara por parte do Governo, mas “a indústria precisa de estabilidade e de respostas estruturais, não de gestão de crise semana a semana”.
A AHP defende que Portugal “trabalhe este tema também ao nível europeu, em articulação com outros países que enfrentam dificuldades semelhantes, como Espanha, França ou Grécia”.
Para a vice-presidente da AHP, “este não é um problema exclusivamente português e não deve ter apenas respostas isoladas”, apontando que “se o problema é comum, a resposta também deve ser comum”.
Por fim, Cristina Siza Vieira referiu que tendo em conta os contactos através da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), espera que “seja possível alcançar resultados rapidamente”.