

Com a IA em foco no ecossistema empresarial, desde as gigantes às startups, "a Europa está a ficar um bocadinho para trás", quando comparada com o resto do mundo. Olhando para Portugal, reter talento continua a ser uma dificuldade, ao passo que impostos e burocracia ainda formam barreiras.
Quem o diz é o diretor executivo da Startup Portugal, Miguel Aguiar, na Web Summit Rio, que está a decorrer esta semana. A Startup Portugal é financiada com capital público e leva 27 startups a esta que é a quarta edição do evento. O próprio explica que em vista deve estar a criação de "empresas diferentes e que consigam entregar valor ao consumidor final."
Os últimos anos trouxeram, da parte de startups e empresas no geral, uma grande dose de "investimento em data centers, soberania e talento", lembra. Este último "é critico" e "precisamos de combinar" estas vertentes, de forma a "criar produtos e serviços que serão adotados pelas pessoas", seja em Portugal, no Brasil, ou em qualquer outro país do mundo.
No que diz respeito à economia portuguesa e à própria a Europa, diz, "estamos a fazê-lo", ainda que "talvez mais devagar do que deveríamos", assinala.
Importa, neste contexto, acelerar o ritmo de desenvolvimento. Para tal, é de elevado grau de importância "remover as barreiras e investir nas startups que vão mudar a maneira de fazer [as coisas]", de acordo com a reflexão do próprio.
Questionado sobre o que gostaria de ver daqui por dez anos, Miguel Aguiar apontou à ambição de ver "Portugal no mapa da IA" e insistiu no tema do talento, que passa por um fenómeno "estranho".
"Temos várias universidades de engenharia, que trazem todos os anos engenheiros que estão prontos para trabalhar em startups", mas nem tudo é um mar de rosas. "O nosso principal objetivo é retê-los", lembrou, num tema amplamente discutido por empresários e responsáveis políticos, nos últimos anos.
"Muitos deles vão em busca do sucesso no estrangeiro", porém, simultaneamente, "estamos a conseguir trazer talento de fora, o que é um pouco estranho; importamos e exportamos", diz. Falta trabalhar "um pouco mais" a este respeito, sem esquecer que "a burocracia e os impostos são muito altos", assinala.